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SELFIE SEM FILTROS

Wanda Stuart sobre a mãe: "Não merecia o final de vida que teve"

Wanda Stuart: "Foi a primeira vez em que o meu pai chamou 'trabalho' àquilo que eu fazia"
Wanda Stuart: "Eu convido muita gente para trabalhar comigo, mas o inverso não acontece"
Wanda Stuart: "Durante anos, todos os dias me arrependia de não ter ficado lá"
Wanda Stuart: "Vai haver sempre comparações. Na nossa profissão e em Portugal, há esse preconceito"
Wanda Stuart como nunca a viu, na SELFIE SEM FILTROS

Convidada da rubrica SELFIE SEM FILTROS, Wanda Stuart aceitou abrir o coração, para falar sobre a relação com a mãe.

Sendo a mais nova de dez filhos, a cantora foi, sempre, a "menina da mamã": "Nos almoços e jantares de família, o lugar ao lado da minha mãe estava, religiosamente, guardado para mim e não havia ninguém que se atrevesse a ocupá-lo! (risos). A minha mãe, apesar de ter 45 anos de diferença de mim, era a pessoa mais compreensiva e tolerante que conheci na minha vida. Sempre tive uma grande cumplicidade com ela, contava-lhe tudo o que acontecia na minha vida e ela era a minha maior confidente e a minha maior referência, até como ser humano. Sempre foi uma mãe atenta, mas que me deu, também, liberdade para fazer as minhas escolhas. Sempre foi o meu ombro amigo, sinto muito a falta dela."

Para que esta reconciliação fosse possível, muito contribuiu a mãe da artista:  "A minha mãe e os meus irmãos mais velhos tentavam o mais possível que o meu pai aceitasse a minha escolha profissional e escolha de vida. Até para contar certas coisas ao meu pai, era com a minha mãe que eu contava, claro. Primeiro, tinha que contar à minha mãe, e as duas, juntas, pensávamos em como é que íamos transmitir ao meu pai, de forma a que ele não ficasse assim tão chateado. Claro que ficava na mesma, mas, pronto... Ainda para mais, a minha mãe gostava de cantar e percebia que eu tinha herdado dela esse dom e que tinha como objetivo levar a vida a usar esse dom que Deus me deu. Ela adorava ver-me no palco. Tenho pena de que ela tenha ficado cega, o que fez com que os últimos anos da vida dela não fossem aquilo que ela merecia, até porque foi uma pessoa que sofreu muito ao longo da vida e não merecia o final de vida que teve, mas acredito que ela, agora, esteja numa outra dimensão, sem sofrimento. Ela era de Cabo Verde e uma das maiores dores da vida dela foi não ter regressado à ilha onde nasceu. Tenho pena de não a ter conseguido levar lá. Acho que ela, agora, já lá deve ter ido, espero eu."

Questionada sobre se ficaram coisas por dizer, não teve dúvidas: "À minha mãe, não, e ao meu pai também não. À minha mãe, sempre lhe disse que a amava muito e ela tinha perfeita noção de que eu era a 'menina da mamã' e que ela era a 'mamã da menina'. Era a pessoa que eu mais amava na vida e ela partiu com essa noção. O meu pai, como nós nos reconciliámos já na minha idade adulta, acredito que ele tivesse noção do quanto eu gostava dele, apesar de, muitas vezes, não concordar com a maneira de ser dele."

Leia a entrevista na íntegra AQUI