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SELFIE SEM FILTROS

Wanda Stuart: "Tenho medo que pensem que ela consegue certos trabalhos porque é minha filha"

Wanda Stuart: "Vai haver sempre comparações. Na nossa profissão e em Portugal, há esse preconceito"
Wanda Stuart: "Eu convido muita gente para trabalhar comigo, mas o inverso não acontece"
Wanda Stuart: "Foi a primeira vez em que o meu pai chamou 'trabalho' àquilo que eu fazia"
Wanda Stuart: "Durante anos, todos os dias me arrependia de não ter ficado lá"
Wanda Stuart como nunca a viu, na SELFIE SEM FILTROS

Convidada da rubrica SELFIE SEM FILTROS, Wanda Stuart aceitou abrir o coração, para falar sobre a filha, Eva, de 15 anos, que também é artista.

Ser mãe de Eva, hoje com 15 anos, foi algo que transformou Wanda Stuart: "Ser mãe transformou-me numa pessoa mais forte e ainda mais corajosa, mas, paradoxalmente, com mais medos. Se, antes, já levava tudo à minha frente, agora, para defender a minha filha, venha quem vier! Não há como me segurar. Faço o que tiver de ser feito e luto com quem tiver de lutar para proteger a minha cria. Por outro lado, tenho tantos medos: de falhar, de não poder acompanhá-la até ela já não precisar, de não ter trabalho para a sustentar.... Paralelamente, olho para ela e encontro a inspiração para me fortificar e seguir em frente. E, muitas vezes, é ela que me dá colo, também. Desde muito pequenina, ela é uma menina muito sensata, muito madura para a idade. Desde pequenina que teve noção de que a vida não é fácil. Ainda conheceu a minha mãe, mas a minha mãe já não a viu. Sentiu-a, mas não a viu. Ficou isso por viver. Tenho pena, porque sei que elas iam ser as melhores amigas, tenho a certeza absoluta."

"Eu tinha o sonho de ter uma filha. E Deus, juntamente com o Nelson (risos), deram-me essa bênção que ainda saiu melhor do que a encomenda. A minha filha sempre me acompanhou, sempre pude levar a minha filha para o meu trabalho, sempre tive muito tempo com ela, sempre conversei imenso com ela... Ela adora conversar comigo. Somos as melhores amigas. No entanto, lá por eu ser muito liberal, - porque sou, tenho conversas com ela sobre tudo - ela sempre soube que há uma barreira que nunca poderá ultrapassar, que é o respeito pela mãe."

Ter mais filhos acabou por não se proporcionar, como contou: "Não aconteceu. Se tivesse acontecido, seria muito bem vindo, mas nunca senti necessidade de ter mais filhos. A Eva preenche-me, em todos os aspetos. Eu queria uma menina bem formada, doce... a menina perfeita... e ela ainda superou tudo isso. Realmente, tenho sorte… não só pela educação que nós lhe demos, mas porque ela já veio um ser iluminado. Nós dizemos muitas vezes 'amo-te', não tenho nenhum medo da palavra 'amo-te'. Embora seja a cara chapada do pai, em termos emocionais, é muito mãe e, depois, ainda para mais, é uma cantora maravilhosa. Embora a voz dela não tenha nada a ver com a minha. Eu sou um cantora mais de garra, com voz rasgada potente, ela não, é suave, o que não deixa de ser interessante. O facto de ela ter nascido com esse dom aproximou-nos ainda mais. A nossa relação é de muita intimidade e muita cumplicidade. Ser mãe é o melhor do mundo, realmente!"

Também o marido mereceu os maiores elogios da artista: "Quando conheci o Nelson, que é o meu atual companheiro e que espero que seja para o resto da minha vida, já tinha vivido muito, portanto, não há aquele sentimento de 'ainda gostava de ter experimentado...'. Conheci-o, apaixonei-me, e pensei: 'É com este que vou querer envelhecer'. É o meu pilar, o meu apoio em tudo, nem é preciso falar.... E, depois, compreende os meus dramas, compreende que, antes de ir para o palco, às vezes, sou insuportável, porque fico muito nervosa, e cada vez é pior. Portanto, ele trata de mim para eu estar bem, subir ao palco e fazer o meu trabalho. Hoje em dia, viver sem ele, não é que eu não sobrevivesse, mas, como diz o anúncio: 'Não era a mesma coisa!'" (risos).

O orgulho na filha não podia ser maior, mas os receios também são cada vez mais. "Tenho o maior orgulho, porque a miúda já compõe desde os 12 anos e está com umas músicas… Eu sou suspeita para falar, mas, ao mesmo tempo, também não sou, porque consigo distanciar-me, consigo perceber se as músicas são boas, ou não. Por outro lado, temos muito receio, porque sabemos que não é fácil, muito menos em Portugal", assumiu.

Com a filha decidida a apostar numa carreira artística, Wanda Stuart encaminhou-a para o Conservatório: "Queremos é que ela tenha uma base, para que, caso não dê certo a carreira musical, possa sobreviver e ganhar vida dela, dentro daquilo que a faz feliz. Acho que não há melhor na vida do que podermos viver daquilo em que somos felizes. Eu adoro sair de casa para ir trabalhar. Portanto, não somos ricos por causa da música, mas, se der para pagar as contas e se tivermos saúde para trabalhar, e assim nos deixem trabalhar (isto já é um recadinho), não peço muito mais da vida!"

As comparações não são, no entanto, uma preocupação para a artista. "Vai haver sempre comparações. Na nossa profissão e em Portugal, há esse preconceito, mas também há casos de médicos ou advogados com filhos e netos que seguem a mesma carreira. No Brasil, era engraçado, porque me diziam muitas vezes: 'Você acha o máximo a sua filha também ser artista…' E eu pensava: eu acho o máximo, mas sei que, no meu país, as coisas não são vistas com essa leveza'. Há muito aquela coisa do 'já tem a vida feita, porque…' e não é bem assim. Às vezes, até há mais responsabilidade, há mais cobrança da parte do público, Já no Brasil, temos imensos pais atores e cantores cujos filhos seguem as pisadas. Aqui, tenho medo que as pessoas pensem que ela, às vezes, possa conseguir certos trabalhos porque é minha filha, quando eu sou a primeira a dizer: 'Nem penses que vais ter a vida facilitada'."

Leia a entrevista na íntegra AQUI