Bruno Nogueira criticado por "momento triste": "Há coisas que não podem ser ditas"

O jornalista Luís Osório deixou uma crítica a Bruno Nogueira, a propósito de umas declarações do humorista sobre a atriz São José Lapa.

Foi no passado mês de abril que se estreou o programa "Princípio, Meio e Fim", que dividiu opiniões, nas redes sociais. São José Lapa foi uma das vozes críticas contra o programa, considerando-o como uma "graçola velha e sem graça".

Na rubrica "É Preciso Ter Lata", da Rádio Comercial, Bruno Nogueira deixou uma resposta a esta crítica, o que desagradou Luís Osório.

"O momento triste de Bruno Nogueira. Gosto de Bruno Nogueira. Já lhe dediquei postais e liturgias ao seu talento, à sua capacidade de arriscar, de querer mais, de desejar o que ainda não foi feito, de não se contentar com vitórias sempre pequenas para quem pensa em grande. Mesmo em relação aos projetos de que não gosto, mesmo em relação ao que me parece ser falhado, relevo sempre a beleza da falha, a beleza do combate pela liberdade de continuar a ser, a liberdade de poder falhar", começou por escrever o jornalista.

"Bruno Nogueira, depois do enorme sucesso de 'Como é que o Bicho Mexe' decidiu aceitar o desafio de produzir um programa para grande audiência, o 'Princípio, Meio e Fim', na SIC. Ele sabia as regras do jogo, sabia o preço a pagar e ainda assim (e muito bem) aceitou o convite. Não correu bem. As audiências não foram as esperadas e a SIC deixou morrer o programa sem antes o condenar a um penoso horário bem para lá da meia-noite. Como sempre acontece nos seus projetos, as águas dividiram-se. Uns que sim. Outros que não. A atriz São José Lapa foi ríspida na crítica, na minha opinião injusta no modo simplista como o fez ('Escatologia, sexo, não é um programa de humor. É querer agradar a uma minúscula fatia de espectadores com lobby montado, graçola pós-modernaça já muito batida, velha e sem graça.')", acrescentou.

Para Luís Osório, a resposta de Bruno Nogueira a esta crítica foi "desproporcional": "Custa a ouvir, admito. E a digerir, sobretudo vindo de uma colega de ofício. Mas há coisas que não podem ser ditas, coisas que, quando são ditas, podem dizer mais de nós do que as pessoas a quem tentamos alvejar. Percebo a pressão e a tristeza pelo programa, a dificuldade em assumir que não correu bem, que as pessoas não aderiram em massa como o canal esperava, o que for. Mas não é admissível a resposta de Bruno Nogueira a São José Lapa. Não é admissível que tenha respondido de uma forma que é baixa, humilhante, e até um bocadinho perversa. ('Deve ser muito complicado envelhecer nesta profissão.') Bruno quis dizer exatamente o que disse. Quis dizer à atriz que ela já passou de prazo, que é uma velha ultrapassada e que por isso ninguém lhe dá emprego. Ao dizer o que disse, e talvez isso não lhe tenha passado pela cabeça, Bruno estava a repetir um dos preconceitos que mais deve ser combatido, o de que uma pessoa tem um prazo de validade, o de que os velhos são verbos de encher, o de que envelhecer é uma coisa tramada. E ao dizer o que disse, Bruno Nogueira foi desproporcional em relação a uma atriz que, apesar de tudo, justa ou injustamente, estava a criticar um programa concreto. Foi desproporcional, por ter respondido com um ataque pessoal."

"Depois, para que melhor o entendêssemos, meteu Simone de Oliveira ao barulho: 'Não se contradiz São José Lapa. Assim, por princípio. Nem Simone de Oliveira.' E aí, Bruno tem razão. Não se contradiz Simone de Oliveira - diga ela o que disser. Porque, independentemente do que aconteça, o Bruno terá que galgar muitos e penosos caminhos até chegar ao seu patamar. É uma questão de escala. De bom senso. Talvez um dia, quem sabe? Mas não agora. Foi, certamente, apenas um mau momento de Bruno Nogueira. Mas um momento que me entristeceu", completou.

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