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Psicóloga Teresa Paula Marques sobre Margarida Corceiro: "É ela a vítima, não o agressor"

Circulam na Internet fotografias que, alegadamente, são da jovem atriz Margarida Corceiro. O fenómeno não é novo e qualquer pessoa, seja ou não figura pública, pode ser atingido por ele.

Psicóloga Doutorada em Psicologia
  • 24 mar, 11:41
Teresa Paula Marques
Teresa Paula Marques

Trata-se de CiberSexting, ou seja, da divulgação de fotografias, ou mesmo filmes, de cariz íntimo sem permissão da própria pessoa.

Perante a notícia, as redes sociais explodem, sendo que cada um pretende dar a sua opinião, que passa, muitas vezes, por culpar a própria vítima. Infelizmente, na nossa sociedade, ainda há pessoas que defendem a chamada 'cultura da violação', que mais não é do que culpar a mulher, afirmando que esta se pôs a jeito para tal lhe acontecer, ao invés de ser aquele que difundiu as imagens a ser fortemente condenado por todos.

É certo que a paixão nos faz cometer erros, sobretudo quando somos mais jovens. Frequentemente, acreditamos que aquela emoção dura para sempre, e, levados por essa certeza, temos atitudes que, num estado mais racional, não teríamos, como partilhar fotografias de índole mais erótica. Certo é que, depois de feito, não há controlo possível. O poder fica todo do lado de quem recebe as imagens e… uma vez na Internet, para sempre na Internet.

Abordei este tema no meu recente livro, "Odiolândia", e nele afirmo que a empatia é uma capacidade que está a diminuir drasticamente na nossa sociedade. Citando-me, "empatia significa imaginar-se na pele da outra pessoa, sentindo o que ela sente e vendo-se a si mesmo, e ao mundo, do ponto do outro. Envolve a utilização da 'regra de ouro', ou da ética da reciprocidade, que se traduz, na prática, em cada um tratar o seu semelhante como ele próprio gostaria de ser tratado".

Ora bem, quem comete um ato destes, sabendo à partida todo o dano emocional que vai provocar, claramente não é capaz de ser empático. Aliás, alguns estudos mostram que a Internet é um terreno fértil para a proliferação de pessoas da dark triad, que inclui três características: maquiavelismo, narcisismo e psicopatia. Um ser (pouco) humano com este tipo de personalidade não possui empatia.

Sabendo que o ciberbullying é um importante fator de risco para o desenvolvimento de quadros de depressão, ansiedade, stress pós-traumático, importa que a jovem Margarida Corceiro se sinta devidamente acarinhada e apoiada neste momento difícil, já que, acentuo, é ela a vitima, não o agressor!

Teresa Paula Marques
Psicóloga Doutorada em Psicologia

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