Big Brother

Psicóloga Teresa Paula Marques e o debate sobre depilação no "Big Brother": "Atingiu proporções desadequadas"

A questão da depilação não é nova e vai tendo várias leituras ao longo do tempo.

Doutorada em Psicologia
  • 11 mar, 17:53

Confesso que quando fui comentadora do "Big Brother 2020" era obrigada a ver diariamente o programa. Agora, não é esse o caso, mas vou acompanhando as polémicas através das redes sociais e, de vez em quando, lá dou uma espreitadela.

Há dias, a discussão rodava em torno do tema da depilação. Esta não é uma questão nova e vai tendo várias leituras, ao longo do tempo.

Para que se saiba, na Idade Média, a depilação era uma prática abominada e condenada. Quem tirava os pelos podia ser acusado de praticar bruxaria ou heresia. É no século XX que a depilação começam a ser comum, como forma de acompanhar a moda de roupas mais justas e curtas. As axilas e as pernas peludas passaram a ser vistas com péssimos olhos - com exceção do movimento hippie, que valorizava a naturalidade dos pelos como símbolo de liberdade estética e repudio da vaidade.

O movimento "pró pelos" inicia-se em 1999, quando a atriz Julia Roberts comparece à estreia do filme "Notthing Hill", da qual era protagonista, com um vestido que deixava ver as axilas não depiladas. Este ato foi interpretado como um posicionamento político por parte da atriz, em prol do feminismo. No entanto, ela veio mais tarde esclarecer que tudo não tinha passado de "erro humano, como qualquer um pode cometer", uma vez que pensava levar um vestido com mangas e acabou por levar outro que deixava os pelos a descoberto.

Neste "Big Brother", a concorrente Marie afirma que não se depila… e??? É óbvio que se trata de liberdade que lhe assiste, assim como o mesmo se aplica a todas as que continuam a fazê-lo. Não me parece que seja por aí que se marcam posições no que respeita ao tão falado "empoderamento" feminino, ou mesmo que sirva de instrumento para a luta pela igualdade entre géneros. Passa muito mais por uma diferença nos conceitos de estética/beleza que, como sabemos, é algo que sofre alterações de geração para geração.

Posto isto, parece-me que se trata de um "não problema", uma conversa banal que atingiu proporções completamente desadequadas.

Teresa Paula Marques
Doutorada em Psicologia
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Teresa Paula Marques
Doutorada em Psicologia

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