Crónicas

"O maior desafio da parentalidade não é educar uma criança, é reeducarmo-nos"

A psicóloga Tânia Correia fala sobre aquele que considera ser o maior desafio da paraentalidade.

Psicóloga, mestre em Psicoterapia Cognitiva-Comportamental na área da infância e adolescência / OPP: 24317
  • 29 ago, 14:38
Criança com os pais
Criança com os pais

Reeducar as lentes que usamos para observar a infância.

Aquelas que a nossa história nos colocou e que alteram a maneira como interpretamos o comportamento da criança. Aquilo que estas lentes permitem ver diz mais sobre o que nos fizeram/o que nos faltou (a nossa criança interior), do que sobre a criança que temos à frente.

 

Reeducar o pensamento de que a criança não sabe nada.

Esta traz valiosas lições, podemos aprender (e muito!) com ela se pararmos de falar, achando que temos de lhe mostrar o que é a vida, e a escutarmos.

 

Reeducar no saber pedir desculpa, assumir que não somos perfeitos, que temos ainda tanto para melhorar diariamente.

 

Reeducar a forma como expressamos o que sentimos.

Largarmos o peso que nos colocaram em cima na infância, de que éramos os grandes responsáveis por os nossos pais se descontrolarem, e agora assumirmos o papel ativo na forma como trazemos para fora o que vai cá dentro. Se nos desregulamos, a dificuldade de regulação é nossa, não culpa da criança.

 

Reeducar esta ideia de que educar é passar informação e regras.

A relação com a criança educa, dá-lhe um modelo a seguir, ensina-a que é amada, dá-lhe segurança, traz admiração e respeito por quem a respeita, o que faz com que esteja mais recetiva às mensagens que vamos aprendendo juntos.

 

Reeducar aquilo que nos transmitiram sobre o que as crianças precisam e como devem ser tratadas.

 

O maior desafio da parentalidade não é educar a criança, é reeducarmo-nos.
 

Estamos juntos.

Tânia Correia
Psicóloga, mestre em Psicoterapia Cognitiva-Comportamental na área da infância e adolescência / OPP: 24317

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