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SELFIE SEM FILTROS

Sónia Tavares: "Não sou a melhor mãe do mundo"

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Convidada da rubrica SELFIE SEM FILTROS, Sónia Tavares abre o coração e fala sobre o filho, Fausto, de oito anos, fruto da relação com o músico Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell.

"Não sou a melhor mãe do mundo, não sou, confesso. Não sou mãe galinha, não coso as meias aos meu filho - o meu filho anda com o buraco com o dedo de fora -, sou péssima. Mas o amor que tenho por ele é um amor que não tenho por mais ninguém. Não sei o que é o amor de irmãos, não faço a mínima ideia, sei que o amor de um filho é uma coisa muito especial e muito de porcelana, porque, muito facilmente, ficamos felizes como, facilmente, somos as pessoas mais frustradas do mundo. Sinto-me a pessoa mais frustrada do mundo, às vezes, quando ele me diz alguma coisa que não aprecio ou que não foi assim que lhe disse para fazer. Penso assim: 'Onde é que estou a errar? Não tenho mesmo jeito nenhum para isto!' Acho que é mesmo o amor que nos une", começa por contar a vocalista dos The Gift.

"Sou a pior das cozinheiras, sou a pior das fadas do lar, não tenho jeito nenhum. Não sei fazer mais nada além de cantar e entreter as pessoas, não tenho jeito. Muito provavelmente, por causa da minha mãe, porque ela foi, sempre, empregada de escritório e trazia a comida do self-service para nós comermos, à noite, e não havia aquela cena de jantarmos, juntos, à mesa… Não me lembro de jantar com o meu pai ou a minha mãe, desde os meus três ou quatro anos. Isso não acontecia e eu trouxe para esta família, precisamente, o que não devia. O Fernando, que vem de uma família enorme, que faz o Natal, à mesa, com 30 pessoas, hoje em dia, come no sofá, com tabuleiro, portanto, consegui desconstruir todo o ideal de família que ele tinha, mas criámos uma coisa muito gira os três, e temos a nossa cena muito especial", continua. 

Apesar de não entrar nas brincadeiras do filho, Fausto, Sónia Tavares é quem o ajuda nas tarefas da escola: "Sou horrível, uma pessoa horrível. Não tenho paciência nenhuma para as brincadeiras dele, porque são brincadeiras de miúdo, não tenho paciência. O pai brinca imenso com ele. Ele gosta de levar porrada e tem uma cena para dar socos, eu não quero saber. Ajudo-o imenso na escola, obviamente, com os trabalhos manuais, e, depois, as professoras acham, sempre, que ele tem uns trabalhos fantásticos e giríssimos, que sou eu que os faço. Ajudo-o nessa parte, mas é o pai é que é o pilar dele, e eu fico muito feliz. Eu sou um péssimo exemplo." [risos]

Se ter filhos nunca fez parte dos planos, ter mais do que um nunca foi opção para a cantora: "Nunca quis ter mais filhos, até porque o meu filho só dormiu com dois anos e meio, portanto, andei, durante dois anos e meio da minha vida, a dar concertos com ele sem dormir. Foi o melhor tempo da minha vida e o pior tempo. O amor que nós temos por ele é tão grande, no entanto, a vida vem mudar de uma maneira, que só o amor é que faz com que tudo se mantenha, porque, senão, não tem sustento. Pensei que estava a ficar maluca. Eu e o Fernando já discutimos baixinho para não acordarmos o menino, sabes? É muito complicado. Ele fazia sestas de 20 minutos e andou assim até aos dois anos e meio. Diziam-me: 'Tens de ter outro, porque pode ser que seja diferente'… 'E se não for? E se for pior? Vou ficar maluca!' E, para além disso, passo tanto tempo com tanta preocupação, que não tinha capacidade para dois. E ele já passa tanto tempo sem mim e sem o pai que já não ia fazer isso a mais nenhum."

Questionada sobre as características que Fausto, de oito anos, herdou da mãe, Sónia Tavares revela: "A personalidade forte, mas não quer dizer que o Fernando não tenha uma personalidade forte, claro que tem, mas é uma pessoa muito mais serena, muito mais ponderada, muito mais educada. E o Fausto não herdou nada disso dele. As coisas más herdou-as de mim. Às vezes, é malcriado, quando é contrariado, 'cai o Carmo e a Trindade', mas, depois, é um miúdo super sensível e super querido, que me diz 'amo-te', todos os dias, e que me beija, que não tem problemas nenhuns em vir fazer-me festinhas e vir, de manhã, meter-se na cama, comigo, e abraçar-me, portanto, vivo bem com a personalidade forte dele. Quero, sobretudo, que ele não se sinta filho único, aquele síndrome do filho único, eu nunca tive, porque sempre fui uma miúda que quis companhia, que soube partilhar..."

Já sobre se Fausto é mais fã dos The Gift ou dos Moonspell, a cantora, de 43 anos, não esconde: "Ele não aprecia. Para ele, as nossas bandas são o trabalho do pai e da mãe. Significa: 'Vou para casa do avô, já não posso estar com o pai e com a mãe, hoje, à noite'… É tudo mau. Às vezes, levo-o aos concertos do Fernando e ele aguenta cinco minutos, nos meus aguenta dois, portanto, está bom. Nem vale a pena insistir, também não quero que ele seja músico."

Se, um dia, o filho lhe disser que quer enveredar pelo mundo da música, o discurso já está ensaiado: "Dizia-lhe assim: 'Filho, pensa bem, há caminhos muito melhores, muito menos trabalhosos e não tão pobrezinhos...' [risos]. Obviamente que quero que ele que faça o que quiser, desde que não seja toureiro, pode fazer o que ele quiser, mas a música não lhe desejaria. É um mundo muito complicado, que mexe muito connosco, em termos psicológicos. Nós estamos a dar a nossa arte, o que vem mais profundo em nós e aquilo que nós sentimos e aquilo que nós amamos... e somos tão mal recebidos, de vez em quando, e isso faz muito mal à nossa cabeça. Vocês não imaginam o que é ter de lidar com isso. Todos os anos, dás o teu melhor, o filho mais bonito que tiveste, com a melhor das intenções, e, depois, dizem-te assim: 'Que grande porcaria! És horrível'. Tu ficas destroçada... e é assim uma vida inteira."

Também o ódio gratuito, de que é alvo nas redes sociais, a faz expor-se cada vez menos: "Ultimamente, deixei-me um pouco mais de redes sociais e só faço uma brincadeirazinha, muito levezinha, só para mostrar às pessoas que gostam de mim que estamos aqui, que estamos a trabalhar e que está tudo bem. Nunca gostei de me oprimir e sinto-me oprimida. Sou a cantora dos Gift, portanto, não tenho voto na matéria para dizer mais nada sobre assunto nenhum, e chateia-me tanto as pessoas serem tão mazinhas, que prefiro não dizer nada, prefiro partilhar a minha opinião com quem a admire, com quem a entenda, com quem possa não estar de acordo comigo, mas que não me vai ofender por causa disso. Não vou dar pérolas a porcos. Sou uma gaja fixe, não têm que me fazer mal. Lido super mal e, às vezes, até acho que é por isso que me vão lá um bocadinho 'picar a burra'... e a burra fica chateada, porque a burra é um bocado sensível. Lido muito mal, porque não admito, não consigo perceber e faz-me confusão, não só comigo, mas com colegas meus, com o meu marido. As pessoas destilam tanto ódio e o homem não é ministro, não faz leis, só faz música. Por que é que me hão-de odiar? A música é uma coisa que, supostamente, traz felicidade. Às vezes, estou, em casa, a olhar para os meus gatos e para as minhas plantas, e penso assim: sou feliz. Não sei se era tudo o que queria ter, porque, na realidade, nunca sonhei com nada. A única coisa que sonhei era ser uma pessoa feliz, e sou. E olho para aquilo que tenho feito e para aquilo que vou deixar e sou uma pessoa muito feliz, apesar de tudo."

Leia a entrevista, na íntegra, AQUI.