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Magda Burity: "Se não fosse o 'Big Brother', o que seria das vossas vidas?"

Magda Burity

Hoje, não vou falar do jogo e, sim, do que se tem passado cá fora à volta do "Big Brother", um mês depois de "A Revolução" ter arrancado a todo o gás, mas do extinto #BB2020 ter subido à cabeça de algumas pessoas. É que, passados 20 anos, há ainda quem não consiga perceber que este tipo de formato é e vai sempre continuar a ser um reality show

E que fica muito mal, usar ad eternum, para quem percebe latim, o estatuto de três meses de pseudo-fama para alimentar uma família inteira.

Então, vamos lá.

Esta semana, parece que houve mais jogo cá fora do que lá dentro. Os visados foram, como sempre, os comentadores, os ex-concorrentes do #BB2020, a vencedora e só não apurei mais, porque há que trabalhar, não é? É que a pessoa escreve aqui crónicas relacionadas com o jogo, mas principalmente o impacto que as atitudes dos concorrentes podem ter numa sociedade inteira. Neste caso, as famílias e agregados acham que também são "ex-realitys".

Ainda não vi se no perfil do Instagram há lá a categoria de irmã, mãe, namorado e sogra do concorrente!

Já se sabe que defendo a #sororidade. Podem pesquisar no Google ou ler as crónicas anteriores e, mesmo só tendo visto um excerto de um live da família de uma ex-concorrente do #BB2020 (mãe e irmã) acotoveladas numa janelinha, que o Instagram não dá para mais, a destilarem veneno pela Soraia, tenho mesmo que dizer que não havia necessidade. Então, essa página não está virada? O prémio já não foi arrecadado, o jogo acabado e cada uma de vocês não está na vossa vida?

O mais grave, ainda, é que as senhoras em questão trabalham com mulheres. E organizam concursos de beleza em que, supostamente, o papel das misses é "fazer o bem" e desmistificar o mundo de invejas, cinismo e linguagem corrente que tive de ouvir naqueles dois minutos de um vídeo de internet.

Mais sororidade, por favor, e, pelo menos, honrem o vídeo de apresentação bonito que a vossa familiar fez para entrar no concurso e o percurso que a levou chegar até ao fim. É que vocês não são concorrentes, são família e, como já ninguém se lembra de vocês, não vale tudo para ganhar mais uns likes nas redes e umas parcerias com boutiques. Deixem os sensatos em paz. Talvez seja por isso que os projetos deles são profissionalmente consistentes ou estão em construção.

Agora, dedico-me ao circo que se fez à volta de uma contracena entre o Pedro Crispim e a Fanny num dos "Extras" desta semana, se não me engano foi na quinta-feira. Não vi, na hora, já estava para lá de Bagdad, porque tinha de trabalhar. Conseguem perceber a diferença de quem não toma conta da vida dos outros?

Vocês acham mesmo que alguém leva um garrafão de azeite para o estúdio sozinho, sem haver uma coordenação com a produção e toda uma logística? Mesmo já tendo tido o privilégio de pisar aquele estúdio, houve quem se desse ao trabalho de ir para as redes sociais insultar aquilo que se chama fazer late night show! Pesquisem que eu também não vos posso dar tudo.

É que se aqueles comentadores foram escolhidos pela diversidade e diferença de opiniões que representam, por alguma razão são pagos para nos dar entretenimento. E, enquanto os concorrentes da casa andam preocupados em andar à bulha uns com os outros em vez de disfrutarem a plenitude que é usufruir de mais de três meses de pura diversão, aprendizagem e até aculturação, alguém tem de fazer alguma coisa.

Para quem pense que eu estou a dar graxa à TVI, desengane-se. Mesmo não fazendo parte do painel, respeito muito o trabalho de quem o faz, senão estaria a pôr em causa o que fiz durante o tempo que lá estive.

Acho é que, quando uma pessoa se inscreve num concurso destes, após sair, pelo menos mais 20 pessoas ficam com o ego inflamado, para além dela e isso é muito possidónio e, pelos vistos, perigoso. Ser concorrente de um reality show, se não provocar uma mudança mensurável cá fora, como a Ana Catharina, não é CV. E ela ficou em 5.º lugar.  

É só um programa. De certeza que já se está a pensar no próximo!

Não percam a Gala.

Saravá.