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Revoltada, Filomena Cautela desabafa: "Vi muitas amigas minhas que não tinham dinheiro para comer"

Igor Pires
Conta-me como és - Fátima Lopes entrevista Filomena Cautela
Filomena Cautela no "Conta-me Como És"
Fátima Lopes entrevista Simone de Oliveira no "Conta-me Como És"
Diogo Morgado no "Conta-me Como És"
Toy no "Conta-me Como És"

A atriz e apresentadora Filomena Cautela abriu o coração a Fátima Lopes, no programa "Conta-me como És".

Filomena Cautela foi a convidada deste sábado, dia 29, de Fátima Lopes, no programa "Conta-me como És". Numa conversa franca, a apresentadora e atriz abordou o seu trajeto pessoal e profissional.

Entre várias revelações, Filomena Cautela contou que sente que ainda faz parte do meio televisivo, porque conta com o apoio de pessoas que vêem este meio de comunicação "de uma forma um bocadinho diferente": "Há pessoas que ficam pelo caminho, porque não esperam por elas. Acho que por mim esperaram. Não fui logo aceite. Ainda hoje não sou consensual e não quero ser. Mas, mesmo no início, demorou muito tempo até ver uma posta de gente considerável que conte para as audiências e que conte para nós continuarmos aqui. Demorou muito tempo a chegar aí. E o que acho que acontece é que as pessoas que têm estas características vão ficando pelo caminho porque não lhes dão tempo suficiente para isso." 

A participação da atriz no elenco da primeira temporada da série juvenil "Morangos Com Açúcar" foi recordada na entrevista. Filomena Cautela garante que, na época, ninguém esperava que o formato colhesse bons frutos.

No entanto, o êxito acabou por surgir logo nos primeiros episódios e a atriz começou a ser reconhecida na rua, uma consequência da profissão com a qual não lida bem até hoje.

"Fiquei absolutamente assustada e lembro-me perfeitamente. Foi no Chiado e fui a correr para dentro de uma loja e fechei-me no vestuário. Os 'Morangos', quando se estrearam, foi um efeito 'Dragon Ball', porque os miúdos não sabiam que nós existíamos e achavam que nós éramos desenhos animados. Quando nos viam, queriam-nos tocar e ficavam [surpreendidos]. Era uma abordagem que já não existe hoje em dia e ainda bem."

"Lido mal, lido mal [com a exposição pública], pelas pessoas que estão comigo. Porque acho que estou inevitavelmente a expor a minha intimidade, a expor as pessoas que estão comigo, sejam amigas ou não, não têm nada a ver com o facto de eu ser uma figura conhecida. Faço muita questão de não ser conhecida na rua. Não me maquilho, não me sei maquilhar, apesar de ter imensa maquilhagem em casa. Não sei arranjar o meu cabelo", acrescentou.

Nesta entrevista, Filomena Cautela ainda abordou a injustiça por que alguns colegas de profissão continuam a passar: "Nunca quis ser conhecida pelos meus lindos olhos azuis. Isto, se calhar, é um trauma, não quer dizer que eu tenha razão - provavelmente até não tenho - mas é um trauma de ter crescido numa geração de pessoas em que o físico falava mais alto. Foi o ponto de partida desta onda que vai até hoje. Em que se tu metias mamas de silicone ou fazias a capa de uma revista, podias ser a próxima protagonista da novela, se te maquilhavas mais ou se eras mais gira, passavas à frente de uma data de gente. Assisti a isso na primeira fila. Pior, vi muitas amigas minhas que não tinham dinheiro para comer, que tinham ido fazer cursos como atriz, tinham dado tudo e já tinham que pedir dinheiro aos pais com uma humildade e com um custo muito grande da sua dignidade e estavam aqui em Portugal a tentarem lutar para serem atrizes e não conseguiam, não lhes davam oportunidade, enquanto havia pessoas na televisão que eram horríveis."

(Re)veja a entrevista na íntegra.