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Duffy revela detalhes sobre a violação: "Era o meu aniversário. Drogaram-me num restaurante"

A cantora Duffy fez um relato duro deste episódio traumático, que a afastou da música durante quase uma década.

Foi no final de fevereiro que Duffy revelou por que razão tem estado ausente da vida pública, há quase dez anos: de acordo com a cantora, Duffy foi raptada, drogada e mantida em cativeiro durante alguns dias.

Entretanto, no domingo, dia 5 de abril, a intérprete de "Mercy" decidiu revelar detalhes deste episódio traumático, no seu site oficial.

Antes da descrição, Duffy confessa que foi aconselhada a não partilhar a história chocante: "Alguns disseram que isso terminaria com quaisquer hipóteses de voltar a fazer música, que seria desprezada pelo público ou que me chamariam de egoísta pelo facto de o violador ainda estar à solta".

"Era o dia do meu aniversário. Drogaram-me num restaurante e estive sob o efeito das drogas durante quatro semanas. Viajei para um país estrangeiro. Não me lembro sequer de ter entrado no avião e voltei a mim no banco de trás de um carro", começou por recordar.

Duffy explica que, posteriormente, foi levada para um quarto de hotel, onde foi violada: "Recordo-me da dor e de tentar manter-me consciente depois de tudo ter acontecido", afirma. A artista confirma que pensou em fugir, nos instantes em que o raptor dormia, mas não o fez por dois motivos: não tinha dinheiro e tinha receio de que a polícia fosse contactada e tentasse localizá-la como uma pessoa desaparecida. "Não sei como tive forças para aguentar estes dias", confessa.

"Voltei com ele de avião, mantive-me tão calma como uma pessoa normal pode estar numa situação destas. Quando cheguei a casa, sentei-me, atordoada, como um zombie. Sabia que a minha vida estava em perigo, ele fez ameaças veladas de que me queria matar. [...] Ele drogou-me na minha casa durante quatro semanas", acrescentou Duffy.

"Depois de tudo isto, um conhecido veio até à minha casa, viu-me na varanda a olhar para o vazio, embrulhada num cobertor. [...] Disse-me que estava completamente amarela como se estivesse morta", recordou, ainda.

Duffy enumerou os efeitos que o abuso sexual trouxe para a sua vida e para a relação com os outros. Durante "semanas e semanas e semanas" esteve sempre sozinha. "Tirava o pijama, atirava-o para a lareira e ia buscar outro. O meu cabelo ficou com tantos nós que era impossível de pentear. Cortei-o todo", relembra.

Meses depois, a cantora contou com a ajuda de uma psicóloga. Se, no começo, Duffy acreditava que a recuperação seria impossível, atualmente, a artista garante que a profissional permitiu que a sua vida fosse retomando a normalidade, afastando o risco elevado de suicídio. 

Após o rapto e a violação, Duffy teve, ainda, alguns encontros românticos, mas todos infrutíferos: "Cada um deles queria a pessoa que via nas capas dos álbuns, enquanto eu só era uma pessoa magoada". Quanto aos familiares, a voz de "Warwick Avenue" confessa que foi a própria que os afastou. 

"A violação é como passar por um homicídio. Estás viva, mas morta, ao mesmo tempo", afirma.