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Marcelo Rebelo de Sousa lamenta morte de Carlos do Carmo: "Não era só a voz do fado, era uma voz de Portugal"

O Presidente da República reagiu hoje com um sentimento "de perda" à notícia da morte do fadista Carlos do Carmo, que recordou como "uma grande figura da cultura" e também como "um grande homem".

com Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reagiu ao desaparecimento de um dos maiores nomes do fado em Portugal, em entrevista à TVI24, dizendo que a morte do fadista é "uma perda nacional".

"Carlos do Carmo não era só a voz do fado, era uma voz de Portugal", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O fadista Carlos do Carmo morreu hoje de manhã aos 81 anos no hospital de Santa Maria, em Lisboa, disse o filho Alfredo do Carmo à Lusa.

À RTP, Marcelo Rebelo de Sousa recordou uma “aproximação familiar muito grande” entre a sua mãe e a de Carlos do Carmo, antes do 25 de Abril.

"Os grandes momentos familiares eram passados normalmente perto para ouvirmos a sua mãe e a ele muito novo a cantar e ficou aí uma ligação que se renovava periodicamente", contou.

O chefe de Estado destacou que, sendo "obviamente um homem de esquerda” e “sempre mais identificado com o povo do que com os poderosos", o fadista relacionava-se de uma forma "muito próxima com as pessoas, de todos os quadrantes".

"Era uma pessoa que, na intimidade, nunca perdia o otimismo nem a esperança de viver, mesmo quando muito doente. (…) Essa capacidade de enriquecer a vida dos outros com o seu otimismo, esperança, amizade, lealdade, traduzia-se quando cantava", disse, evocando o seu último espetáculo em 2019 como "uma prova de resistência física".

"Gostava de ser amado, amar as pessoas e de se dar às pessoas. Gostava de perceber que os portugueses o amavam", resumiu o Presidente da República, apontando que Carlos do Carmo "gostava de promover os mais novos e chegava ao ponto de se apagar para fazer crescer os outros".

Nascido em Lisboa, em 21 de dezembro de 1939, Carlos do Carmo era filho da fadista Lucília do Carmo (1919-1998) e do livreiro Alfredo Almeida, proprietários da casa de fados O Faia, onde começou a cantar, até iniciar a carreira artística em 1964.

Vencedor do Grammy Latino de Carreira, que recebeu em 2014, o seu percurso passou pelos principais palcos mundiais, do Olympia, em Paris, à Ópera de Frankfurt, do 'Canecão', no Rio de Janeiro, ao Royal Albert Hall, em Londres.

Despediu-se dos palcos no passado dia 09 de novembro de 2019, com um concerto no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Recorde, agora, alguns dos sucessos do fadista:

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