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Ruy de Carvalho: "Temos de manter os 18 anos, porque, senão, morremos vestidos"

Ruy de Carvalho: "Temos de manter os 18 anos, porque, senão, morremos vestidos"
Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz protagonizam videoclipe de Rogério Charraz

A SELFIE esteve nas gravações do videoclipe do tema "Quando Nós Formos Velhinhos", de Rogério Charraz, protagonizado por Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho, com quem estivemos à conversa.

É sempre especial contracenarem?
Contracenar com a Eunice é, sempre, um prazer muito especial. É uma honra. É uma colega excecional. É uma grande senhora. É uma grande mãe e uma grande avó. É uma pessoa com muitas qualidades - e é minha vizinha! Porque mora ao pé de mim. Portanto, é um prazer fazer esta gravação com a Eunice, e gravar esta canção... que é muito bonita. Pensar nos velhinhos, nós somos velhinhos - eu já sou, já atingi esse termo - como sabem, tenho 93 anos. Já sou um rapazinho crescido, mas sinto-me com alma de 18. E temos de manter os 18 anos, toda a vida, porque, senão, morremos vestidos. E não vale a pena, porque a vida é para ser vivida. E a morte é certa. [...] Não pensem nisso [...]. Agora, vivam a vida intensamente. É o que se faz nesta canção: viver a vida até muito tarde, até os anos passarem, sem perguntar quantos são.

Aos 93 anos, sei que foi, recentemente, operado. Como está a correr recuperação?
Tive uma hérnia discal e, depois, tive uns ossinhos que ficaram em cima de uns nervos. Fiquei muito aflito e estou um bocadinho coxo, como se vê. Estou muito coxo, ainda. Estou à espera de ver se ainda consigo representar, porque não sei se não vou entrar na [peça] "Ratoeira". Se o confinamento terminar...

Neste tempo de pandemia, como é que tem sido viver esta nova realidade, em que temos menos carinhos, menos abraços...
Se respeitarmos o nosso semelhante, cumprimos as regras todas. Lavamos as mãos, desinfetamo-nos. Damos abracinhos. Se a pessoa estiver constipada, não queremos constipar-nos também. Temos de respeitar os outros, sempre com um sorriso. O sorriso não precisa de desaparecer por causa da Covid. [...] Desde que a gente se respeite, a Covid não existe.

Como se chega aos 93 anos com saúde e a trabalhar?
Trabalhando [risos]. E fazendo o possível para servir o melhor possível as pessoas que gostam de me ver, e as que não gostam - essas tenho de conquistá-las. Portanto, faço, sempre, o melhor que sei e que posso.