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Lídia Muñoz confessa: "O nome deixou de ser um peso"

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Lídia Muñoz protagoniza com a avó a peça "A Margem do Tempo", que representa a passagem do legado artístico de Eunice Muñoz, e revela como tem vivido com o peso do apelido.

Formada em Teatro, pela Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, Lídia Muñoz tem 15 anos de carreira, mas nenhum papel a marcará tanto como a personagem que interpreta na peça "A Margem do Tempo", que protagoniza ao lado da avó, Eunice Muñoz.

A peça, com encenação de Sérgio Moura Afonso e música do maestro Henrique Feist, marca a passagem do legado artístico da atriz de 92 anos à neta.

"Só quero honrar a minha avó", garante Lídia Muñoz, numa entrevista à SELFIE, concedida de mão dada com a avó, momentos antes de ambas subirem ao palco para a estreia do espectáculo.

"Além de ser o último espectáculo da Eunice Muñoz e a comemoração dos seus 80 anos de carreira, o espectáculo é, também, a homenagem a Isabel de Castro [que interpretou a peça nos anos 70] que tanto eu e como a avó admirámos e continuamos a admirar, e de quem temos muitas saudades. Por isso, devemos muito à Isabel de Castro a escolha deste texto", explica Lídia Muñoz, que assegura sentir-se uma privilegiada por contracenar com a avó.

"Ela tomou a decisão de que este seria o último espectáculo e que me queria ao lado dela, e eu só tenho mesmo a agradecer-lhe, porque estar ao lado da maior atriz do mundo não é para toda a gente! [risos]", afirma a jovem atriz, cujo talento é elogiado por Eunice Muñoz: "Ela tem muito talento! Estou a recordar o que é necessário para representar e ela tem todas as condições: tem talento, é bonita. Está muito bem preparada, porque estudou, fez tudo o que se poderia fazer e isso marca a diferença."

Ambas lamentam que, atualmente, nem sempre o talento seja o principal requisito na hora de escolher um ator. "Hoje, lamento muito que se vejam jovens escolhidos mais pelo físico do que pelo talento, enfim… Espero que essa situação vá melhorando", diz Eunice Muñoz, com a neta a acrescentar: "Não tenho nada contra quem entra no meio sem formação, mas acho que até essas pessoas podem sempre, se querem mesmo isto, procurar formação, porque isto é duro [risos] e é mesmo difícil. Mesmo com muita formação, nós estamos sempre a aprender. Mesmo com os colegas nós aprendemos. A minha avó não apenas minha colega, é muito mais do que isso, mas todos os dias eu estou a absorver e a aprender com ela e a formar-me."

Quanto ao futuro, Lídia Muñoz assegura não ter certezas. "Neste momento, está a ser feito um documentário, realizado pelo Tiago Durão [namorado da atriz], sobre este nosso processo de 'A Margem do Tempo', sobre esta passagem de testemunho, que a avó sempre quis frisar, e é um documentário diferente, algo que nunca foi feito sobre ela. Agora, a pandemia veio cortar muito trabalho que já tinha agendado. Já vivíamos tempos muito difíceis no teatro, com condições muito más, a trabalhar e a receber muito pouco, e, agora, nem sabemos se as companhias com as quais trabalhava regularmente se vão manter de pé, depois de um ano e meio, quase dois, sem fazer teatro e é muito duro... Não sei como vai ser o futuro, mas se acabar aqui, também, está tudo bem! [risos]", assegura a atriz, que não gostava de ser recordada apenas como a "neta da Eunice Muñoz".

"Gostava de ter o meu caminho, sendo, também, neta da Eunice Muñoz, mas nós somos atrizes muito diferentes. Naturalmente, eu nunca vou ter a pretensão de ser uma extensão da minha avó, porque, lá está, ninguém pode ter a pretensão de ser esta senhora, ninguém, nenhuma atriz pode ter essa pretensão, muito menos eu! Por isso, só quero fazer o meu caminho e ser feliz e fazer teatro, que é o que mais amo", afirma Lídia Muñoz, antes de frisar que lida bem com o peso do nome.

"Tenho mesmo muito orgulho de ser neta de quem sou, o nome deixou de ser um peso para ser um enorme orgulho", salienta a atriz, que gostava de ver a profissão mais reconhecida. "O facto de os atores profissionais não terem carteira profissional, que não sei por que deixou de existir. O facto de não termos acesso a castings, não sabermos como as pessoas entram na televisão, por exemplo. São conversas que nós temos… Eu andei na Escola Profissional de Teatro de Cascais, do Carlos Avillez, e, depois, andei na Escola Superior de Teatro e Cinema, fiz o curso profissional e, depois, o curso superior e era uma coisa que todos nós conversávamos… Como é que as pessoas tiveram acesso a castings, nós não temos e nós devíamos ter prioridade, era justo. Podia vir alguém sem formação que se mostrasse melhor, mas nós devíamos ter oportunidade de fazer aquele casting e de tentar. Não sabemos quando é que acontecem, não sabemos nada sobre isso e é uma coisa frustrante na profissão. Cada vez mais, é difícil, é difícil lutar contra isto", confessa Lídia Muñoz.