Júlio Isidro lamenta morte: "Deixou-nos sem tempero e sem apetite para a alegria"
Foi no Facebook que o apresentador Júlio Isidro partilhou uma emotiva mensagem sobre um famoso português.
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Igor Pires
- Às 18:54
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Frequentemente, Júlio Isidro recorre à respetiva página de Facebook para recordar personalidades ilustres que já faleceram, mas permanecem na memória coletiva.
Recentemente, o apresentador decidiu destacar o chefe António Silva. "O fogão ficou gelado de tristeza. As claras não subiram ao castelo. A carne ficou em sangue. No ar, apenas o perfume de milhões de iguarias que o meu amigo António Silva confecionou ao longo da sua vida. De Termas de Caldelas para o mundo, foram muitos pratos lavados, alguns esturricados, outros acre-doces, porque a vida de quem veio de pobre e chegou ao estatuto de homem realizado, não foi fácil", começou por recordar.
"O cozinheiro mais português de Portugal gostava de mim como se eu fosse um sobrinho. Sabia que eu não desconfiava - e continuo nesta ignorância - como fazer um ovo mexido ou estrelado mas estragava-me com petiscos. Nunca deixou de dizer em entrevistas que nos 14 anos em que esteve afastado da televisão (?) enquanto o coziam em lume brando, foi meu convidado em todos os meus programas. Imaginam esse órgão de informação a trabalhar como um forno a gás? Tem feito muitas vítimas.... Também na rádio lhe proporcionei uma rubrica semanal de culinária, para que a chama do seu talento não se apagasse. Eu, o António Barra, a Margarida Mercês de Mello, o Carlos Ribeiro e tantos convidados do meio artístico, comíamos uma vez por semana a Tele-Culinária do chefe! Acabada a sessão fotográfica, sentávamo-nos à mesa do estúdio e lá íamos deglutindo entre boas piadas tudo o que o chefe tinha feito para figurar nas páginas da revista, um verdadeiro fenómeno de vendas", acrescentou.
Neste desfiar de memórias, Júlio Isidro assinalou ainda: "Várias vezes por ano íamos a sua casa à Póvoa da Galega e aí quem mandava era a querida Dona Graça. Foi das mãos dela que comi os melhores pastelinhos de bacalhau do mundo e saladas de fazer chorar. E os doces? Se não me tivesse controlado, a minha glicémia de hoje era de três dígitos. Também fui apresentador de alguns dos seus livros, o que temperou ainda mais a nossa amizade. E desde há 11 anos querido António Silva, eu, o seu pior aluno, o seu fracasso como professor de cozinha, o seu amigo que lhe ouvia a voz já débil ao telefone 'Olá, Júlio... Só para saber como está? E as meninas?'… estou orfão de chefe com E. Sim, porque Chef sem E é para elites. Juntou-se à Dona Graça, que foi o seu braço direito, o seu amor, a mãe dos seus filhos. Já estou a ver os dois entre tachos e panelas a confecionarem um bacalhau espiritual entre outras coisas boas de comer, porque um dia destes o banquete com os vossos amigos, aqueles que esperam com as portas da nuvem abertas de par em par, vai ser um caso falado...no Céu. Não se esqueça dos papos de anjo..."
"O chefe Silva deixou-nos sem tempero, tristes, insossos, insípidos e sem apetite para a alegria", completou.
Veja, agora, algumas das melhores imagens de Júlio Isidro nas galerias de fotografias que preparámos para si.
