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Psicóloga Teresa Paula Marques sobre Will Smith: "Fica na história como o ator que esmurrou o apresentador dos Óscares"

Esta semana, estalou a polémica em torno do que ocorreu na cerimónia dos Óscares, levantando-se, mais uma vez, a já velha questão sobre se devem haver limites para o humor.

Psicóloga Doutorada em Psicologia
  • 31 mar, 09:54
Teresa Paula Marques
Teresa Paula Marques

Os humoristas recusam-no, alegando que as piadas não são para levar a sério e que o seu papel passa, exatamente, por abordar temas mais sensíveis como forma de os tornar mais leves. Teoricamente, esta ideia faz sentido, no entanto, quando somos nós ou alguém que amamos o alvo da "brincadeira", o caso muda de figura.

Chris Rock referiu-se a uma situação delicada de saúde que, certamente, causará muita angústia a Jada, esposa de Will Smith, que sofre de alopecia areata. A alopecia é fruto de uma doença auto-imune, provoca queda de cabelo, temporária ou definitiva. Já outras figuras tiveram esse problema, como, por exemplo, a princesa Carolina de Mónaco, tendo-o, entretanto, ultrapassado.

Analisando a situação, considero que ambos estiveram mal. Chris Rock não mostrou empatia pela situação da mulher de Will Smith e a piada acabou por tomar a forma de uma agressão verbal. Aliás, o próprio já admitiu que ultrapassou as marcas do bom senso e desrespeitou o colega tal como a sua família: "Ontem à noite, cruzei uma linha que não deveria e paguei o enorme preço da minha reputação como um comediante de renome. Comédia nunca é gozar com as pessoas ou com o que está a acontecer nas suas vidas. A comédia é saber usar as circunstâncias da vida real para criar risos e trazer luz a um mundo sombrio."

Embora compreenda a reação de Will Smith, não posso concordar com ela, até porque não nos podemos esquecer de que, tratando-se da pessoa que é, no contexto em que ocorreu (numa cerimónia emitida para todo o mundo), transmite a ideia de que as situações se resolvem com recurso à agressividade.

Era necessário marcar uma posição, sem dúvida alguma, uma vez que, como o próprio referiu, não é por se tratar de uma figura pública que tem de "aguentar que as pessoas o desrespeitem, e tem tem de sorrir e fingir que está tudo bem". No entanto, poderia ter optado por uma atitude mais civilizada e, simplesmente, ter abandonado a sala com a família. Não o fez, reagiu impulsivamente e, assim, acaba por ficar na história como o ator que esmurrou o apresentador da cerimónia, exatamente no dia em que ganhou o Óscar de Melhor Ator. Era desnecessário.

Teresa Paula Marques
Psicóloga Doutorada em Psicologia

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