Big Brother

Psicóloga Teresa Paula Marques sobre Nuno Graciano: "Não merece ter de se humilhar"

Tinha 25 anos quando fui, pela primeira vez, a um programa de televisão. Desde então, muitos se seguiram, mas mantive sempre a distância emocional necessária que me permitiu avaliar racionalmente este meio.

Psicóloga Doutorada em Psicologia
  • 20 abr, 13:26
Teresa Paula Marques
Teresa Paula Marques

Recordo-me sempre de, há cerca de uma década, um amigo, já veterano nestas lides, me ter dito algo do género: 'Nunca te iludas, na televisão, raramente se fazem amigos, porque o ego se sobrepõe a tudo. Se quiseres sobreviver, terás de estar preparada para suportar a ingratidão, a deslealdade e a hipocrisia'. Sábias palavras estas que me fizeram posicionar suficientemente longe, para não sair magoada, e suficientemente perto, para usufruir dos momentos de felicidade efémera que esta caixa mágica proporciona.

Felizmente, mantenho alguns, poucos, verdadeiros amigos, que aliam o sucesso profissional à exposição publica, mas são a exceção que confirma a regra.

Quem está a ler esta crónica, está, agora, a questionar o porquê desta pequena reflexão. Passo a explicar. Ver um homem com a autoestima destruída e o coração tão ferido, que não é capaz de conter por mais tempo a mágoa, a ponto de expor as suas fragilidades perante o país inteiro, tocou-me bastante. O Nuno Graciano não merece ter de se humilhar ao ponto de suplicar para que lhe seja dada uma nova oportunidade.

Cruzei-me com o Nuno uma só vez, num programa da manhã, e retive a imagem de um bom comunicador, alguém com quem era fácil empatizar. Subitamente, desapareceu. Certamente foi "engolido" por algum ego ou foi trucidado por essa máquina, que tende apenas a poupar os amigos, os bem relacionados, os que bajulam ou os que têm poder económico para pagar fortunas a agências que os promovam. Quem não pertence a estas tribos facilmente é descartado, mesmo que seja um bom profissional.

O Nuno Graciano não se preparou para isso, "baixou a guarda" e deixou-se magoar desta maneira. Passou a valorizar o que não consegue ter, ao invés de se orgulhar de tudo o que criou, que inclui uma marca, um restaurante, uma família que o ama. A tristeza não lhe permite ver que, neste momento, já não precisa da televisão para nada, que o seu percurso mudou, mas que pode ser feliz e realizado sem estar permanentemente sob holofotes.

Importa que sare as feridas deixadas pelo passado televisivo, se apoie nas pessoas que gostam dele e coloque a hipótese de procurar a ajuda de um psicólogo, pois só deste modo conseguirá virar a página a escrever um novo roteiro para a sua existência.

Força, Nuno, há mais vida para além da televisão!

Teresa Paula Marques
Psicóloga Doutorada em Psicologia

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