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Já ouviu falar em implantes dentários com carga imediata?

Prof. Doutor João Espírito Santo
Médico Dentista
Prof. Doutor João Espírito Santo

Tenha os seus "dentes" no próprio dia. Os implantes dentários são uma boa alternativa para corrigir a ausência de um ou mais dentes naturais, possibilitando que se recupere o sorriso. São, basicamente, dispositivos médicos que podem ser comparados à raiz artificial do dente ausente e servem de suporte a uma coroa (o elemento protético semelhante ao dente). Ao "preencher" o lugar dos dentes perdidos, os implantes permitem melhorar a função mastigatória e fonética, assim como, manter a estrutura óssea e estética da cara, perdida, muitas vezes, em consequência da falta dos dentes.

O que são?

No fundo, traduzem-se na possibilidade da colocação de "dentes num dia". Isto significa que, depois de os implantes serem postos, é possível aplicar, imediatamente, uma ou várias coroas provisórias, consoante a natureza do caso, feitas em resina acrílica que preservam a função mastigatória e ajudam a moldar a gengiva envolvente até ao momento da reabilitação definitiva. Os implantes de carga imediata "precisam" que o osso onde vão ser aplicados seja denso, de boa qualidade e em quantidade suficiente.

Quando se recorre a este tipo de implantes?

Normalmente, quando há falta de um dente ou de vários ou, ainda, quando se é desdentado total. São especialmente indicados para substituir os dentes da frente ou para o maxilar inferior, onde o osso é, geralmente, mais denso e compacto. No maxilar superior, apesar de o osso ser, por norma, mais débil, dependendo do caso em particular, pode, também, recorrer-se a este tipo de implantes com resultados bastante positivos.

Como é feita a sua colocação?

A chave do sucesso é um bom planeamento do caso, recorrendo-se a exames de diagnóstico, como fotografia, ortopantomografia ou TAC. Já no momento da cirurgia propriamente dita, que é feita recorrendo-se a anestesia local, são utilizadas guias cirúrgicas (uma espécie de moldes), para facilitar a colocação dos implantes e reduzir as probabilidades de erro humano. Estas são feitas tendo em conta o comprimento e diâmetro do implante, bem como, a inclinação que será necessária. As coroas são postas de seguida, sendo que são necessárias duas a três consultas prévias para se ensaiar a sua estética e funcionalidade.

Quanto tempo demora?

Em casos de reabilitação do arco dentário completo, a intervenção dura, aproximadamente, uma hora, existindo casos mais complexos, geralmente associados à necessidade de regeneração óssea, em que o tempo cirúrgico pode ser maior - entre seis a oito horas. Oito a doze semanas depois da cirurgia, é possível colocar as coroas definitivas, de forma previsível e com adequada estabilidade dos tecidos moles que envolvem os implantes.

Vantagens da carga imediata?

Além da possibilidade de se ter "dentes" fixos no mesmo dia, há uma melhoria da aparência estética e recupera-se, de imediato, a função da mastigação. A carga imediata permite, deste modo, resolver casos clínicos, num curto espaço de tempo, e, por isso, com maior conforto para o paciente.

Quais os riscos?

Há o risco de rejeição, como em qualquer cirurgia, que acontece quando as células ósseas não envolvem o implante, ou, por exemplo, se o tecido gengival em seu torno infetar. No entanto, a força excessiva também é um risco deste tipo de procedimento, uma vez que o implante deve ficar livre de tensão ou força excessiva. É muito importante que fique imóvel durante o tempo necessário à osteointegração.

Quem pode ser tratado com implantes de carga imediata?

São uma boa hipótese de tratamento, no geral, para pessoas que não fumam e tenham uma boa saúde oral e geral. E, em particular, quando o crescimento maxilar esteja completo (pacientes adultos), quando se sente dificuldade na mastigação ou há falta de estabilidade e retenção da prótese removível, ou, mesmo, quando esta não é confortável e/ou é esteticamente inadequada. Pelo contrário, a carga imediata é desaconselhada a quem sofre de bruxismo (ranger os dentes) e osteoporose.

Prof. Doutor João Espírito Santo
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