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SELFIE SEM FILTROS

Ana Arrebentinha: "No Alentejo, ficou a miúda em quem a maioria das pessoas não acreditava"

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SELFIE SEM FILTROS convida Ana Arrebentinha

Convidada da rubrica SELFIE SEM FILTROS, Ana Arrebentinha abriu o coração e recordou a altura em que veio morar, sozinha, para Lisboa. Tinha apenas 17 anos e muitos sonhos pela frente. Mas nem tudo foi fácil.

"Eu via Lisboa como se fosse do outro lado do mundo", contou a comediante, que cresceu na Amareleja, no Alentejo.

"Vim para Lisboa aos 17 anos. Vim fazer um curso na Casa do Artista. Estava cheia de convicção e a achar que não ia sentir saudades nenhumas. Mas, quando estava a arrumar a mala, no meu quarto, começou logo a bater a ideia de que aquele ia deixar de ser o meu espaço. Quando cheguei a Lisboa, desci do comboio, estava ao pé da minha primeira casa, aí é que eu percebi: estou sozinha, com 17 anos, mas não posso dar parte fraca, porque os meus pais vão ficar preocupados. A primeira semana passou-se bem, mas, a partir daí… não tinha cá os meus amigos, não tinha cá os meus pais, não tinha cá as minhas pessoas, aqueles com quem fui criada... Tive que criar rotinas. Não tinha muito dinheiro, [por isso], não podia sair muito, nem distrair-me muito. Era tudo uma vida nova, de uma miúda com 17 anos que, consciente e inconscientemente, veio sozinha para cá. As saudades, às vezes, apertavam e chorei muito, muito", confessou Ana Arrebentinha.

Na bagagem, trazia muitos sonhos e a certeza do que queria para o futuro: "Queria fazer o curso de teatro, seguir a vida como atriz, como comediante, e precisava daquilo para crescer profissionalmente."

No Alentejo, deixou a família e uma parte de si: "Ficou a miúda que saiu de lá com um objetivo e em quem a maior parte das pessoas não acreditava. Saí quase gozada, do género: 'Vai estudar teatro para quê? Agora, vai para Lisboa fazer o quê? O que é que ela vai fazer para lá? O que é que ela está lá a fazer?' Eu não guardo isso com rancor, mas, na altura, magoou-me imenso. Eu via a cara de gozo dessas pessoas, quando chegavam ao pé de mim e me davam uma palmadinha nas costas, e diziam: 'Conta lá uma anedota', e eu olhava e dizia: 'Não, não conto.'"

"Claro que, depois, quando tu consegues alguma coisa, dá-te gozo dizer: 'Está aqui'. Isso dá-te gozo, claro que sim. Essas coisas não te podem deixar em baixo. porque só tu é que sabes. Tens de ter a certeza daquilo que queres fazer para a tua vida e eu tinha a certeza de que era isto!", concluiu Ana Arrebentinha.