"Os tontos do tintol", por Pedro Sepúlveda

OPINIÃO
Pedro Sepúlveda
Copywriter TVI
Pedro Sepúlveda

Tenho um fascínio por gente que acha que percebe de vinhos. Sim, aqueles que sabem sempre tudo, do solo, às uvas, aos taninos e sei lá mais o quê. E tenho alguns amigos assim, devo dizê-lo.

Estamos juntos a falar de futebol ou de gajas, como é costume, até que alguém diz a palavra maldita: “vinho”. E, de repente, tudo muda.

Vai-se o tarado que há neles, e aparece o enólogo que os habita (e claramente que o enólogo é bem pior). Onde antes havia seios e deboche, agora há um refinado apreciador da vinha do Douro.

Dizem: "Uva criada em casta de solo arenoso” e porcarias assim. Sei lá eu. Por esta altura, eles já falam em dialeto “vinhês” - que para mim equivale a chinês - e já os vejo como umas bestas de região demarcada.

Conhecem todos os vinhos do país, sem excepção. São tipos que não sabem uma estrofe de Fernando Pessoa, mas citam rótulos de José Maria da Fonseca.

Tintos, brancos, verdes, rosés, aqueles homens são vinopédias ambulantes. Não há nenhuma pomada que não lhes tenha passado pelo estreito, de Portugal até ao Chile.

Ora eu, quando penso no Chile, penso na Miss Chile 2019 – Geraldine González. Já eles, pensam no Gran Tarapacá Tinto Cabernet. Gostam de pinga, mas deviam era ter um pingo de vergonha.

Agora, a sua nova moda são os vinhos de pacote. A zurrapa que a minha avó usava para os cozinhados, estes mestres da fermentação consideram o último néctar dos Deuses. “Sim, o Porta da Ravessa de 5 litros é fantástico!”; “E o Dona Ermelinda de 3 litros, ui, cuidado!”. Sim, cuidado, esta rapaziada ainda não bebeu uma gota de álcool, mas já está embriagada de palermice.

Por isso, meus amigos, aceitem este conselho:

Se querem saber alguma coisa sobre vinhos, mais vale falarem com a minha tia Elsa, que bebe mais do que o meu pai e tem menos ressaca do que o meu avô. Essa sim, é uma entendida. Vocês são uns meninos.

 

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