"O regresso às jaulas", por Pedro Sepúlveda

OPINIÃO
Pedro Sepúlveda
Copywriter TVI
Pedro Sepúlveda

Final de setembro. Chegam ao fim as férias de verão. E se para as crianças é o regresso às aulas, para os adultos é o regresso às jaulas: trabalho, horários, secretária, computador, etc.

Significa “Adeus, praia”, “Adeus, petiscos ao pôr-do-sol”, “Adeus, ao que faz bem à alma”. Em bom português do Algarve, "it sucks". E se isto não fosse mau o suficiente, ainda temos de voltar a viver com o dress code pós-férias: a pele branca.

A vida é dura.

Esta é a época do ano em que tudo deixa de fazer sentido.

A existência pacata do dolce far niente, terminou.

Crianças choram. Mulheres choram. Homens choram.

Partiu o nosso mais-que-tudo, as férias de verão. Durante duas semanas vivemos uma relação intensa, e, juntos, éramos felizes. Completávamo-nos. Mas, como qualquer amor de verão, foi fugaz. Nós voltámos para o nosso T3 em Loures, as férias meteram baixa, o verão vai para o hemisfério sul.

E a nossa realidade dá uma volta de 180 graus:    

Trocamos o sol, pelo sofá.

O calor, pelo aquecedor.

O pé n’areia, pela pantufa no pé.

A casa de praia, pela "Casa de Papel".

Os grelhados, pelos congelados.

O “ó chefe!”, pelo “sim chefe!”.

As noites loucas, pelo psicólogo.

O bom humor, pelo despertador.

Os copos, pelos engarrafamentos.

Os sunsets, pelo dia-a-dia.

Tudo isto são rudes golpes para a felicidade do ser humano.

Mas que fique claro que não estou deprimido.

Estou apenas em profundo desacordo com a existência do outono, do inverno e da primavera.

Portanto, nesta altura, a pergunta que se impõe é esta:

Haverá vida para lá das férias de verão?

Claro que haverá. Mas só daqui a dez meses.

A todos, um bom regresso ao trabalho.