"A linha horizontal", por José Gabriel Quaresma

OPINIÃO
José Gabriel Quaresma
Jornalista

Tudo na vida, bom, quase tudo na vida, é uma opção individual. Ir ou ficar. Calar ou falar. Pensar ou não pensar. Fazer ou não fazer. Escutar ou não ouvir. Correr ou não correr. Ganhar ou não ganhar. Aprender ou falhar.

Às vezes, quando estamos a correr ou a praticar qualquer outro desporto, enfrentamos um momento que é duro, ele passa pela fadiga, pelo stress mental e físico, pela sensação de desistência.

Façamos este pequeno e insignificante exercício:

Às vezes, na nossa vida, parece que estamos a correr ou a praticar qualquer outro desporto, porque também aqui enfrentamos esse momento, que passa pela fadiga, pelo stress mental e físico, pela sensação de desistência.

Se este texto fosse um mind map, nele estavam desenhados dois balões, um com a palavra "vida" e outro com a palavra "eu".

Depois, uma linha horizontal ligava estas duas bolas. A linha da superação. A linha da resiliência e da coragem.

Quando, naquele momento de fraqueza, como num instante mágico, sentimos que nunca é hora de desistir, de nada.

E, os pulmões abrem-se, o coração acelera, o aperto desaperta, viajamos e vamos lá à frente ver o que vai acontecer e voltamos.

Mudança.

Na cadência desta história podem entrar muitas variáveis: a mulher, os filhos, os pais, os irmãos, os amigos, os colegas de trabalho, o trabalho, as contas, a casa, um sem-número de variáveis.

Eis quando o prazer começa a ser encostado à parede (sem qualquer pensamento erótico-sexual ligado a esta frase).

É aqui que, para mim, a corrida e o exercício (Muay Thai) assumem o papel de juíz, aquele que equilibra.

A idade, a maturidade, a experiência, o caminho, a tal linha horizontal que une os dois balões imaginários.

Às vezes, é como se estivéssemos preocupados connosco, a tentar correr dez quilómetros abaixo da uma hora.

E o prazer?

Tal e qual o mesmo prazer que sentem os mais rápidos e resistentes.

A vida só faz sentido se também for feita de prazer. Quando não há prazer, é chegado o momento de renascer. É assim na vida e nas corridas.

Muitas variáveis. Sempre muitas variáveis.

É uma espécie de post-it mental quotidiano.

Tem tudo isto a ver com a idade, a tal linha horizontal, acredito.

Tudo isto tem a ver com a mudança, com a revolução, com o virar páginas.

A outra parte da viagem.

Ou começos. Começar é mágico.

Aprendi que se juntar aquilo que sinto enquanto corro ao que sou e sei o meu mind map ainda tem espaço para mais linhas horizontais e para mais balões imaginários.

É que eu já corri dez quilómetros em menos de uma hora.

Até já corri uma maratona!