"Com a Madonna nobody makes farinha", por Pedro Sepúlveda

OPINIÃO
Pedro Sepúlveda
Copywriter TVI
Madonna

E, à terceira, foi de vez. Depois de cancelar dois concertos, em Lisboa, Madonna, finalmente, atuou. Mas o mal já estava feito. O grave incidente diplomático entre Portugal e a "Rainha da Pop", já tinha estalado.

Sim, porque a Madame X não cancelou apenas um concerto. Foram dois. Seguidinhos. E isto só quer dizer uma coisa: a Madonna ainda está muito magoada com o facto de as autoridades portuguesas não a terem deixado gravar um videoclipe com um cavalo dentro do Palácio de Belas.

Compreendo-a. Eu também fazia birra, quando a minha mãe não me deixava brincar com o Pantufa, dentro de casa, e o mandava para o jardim.

Vai daí, possuída de um desejo de retaliação, Madonna fez o amuo do silêncio. Não há cavalos em palácios, não há "Like a Virgins" e soutiens metálicos bicudos.

Eu percebo-a, volto a dizer. Até porque não se compreende a decisão de não a deixarem gravar com um equídeo, dentro de um palácio. O que não falta é cavalos a viverem em T2 deste país.

Mais a mais, é apenas um cavalo. Um. Que mal é que fez o Trovão? Há algum registo de que ele, alguma vez, tenha danificado algum palácio, durante um videoclipe? Zero. Ok, uma vez danificou uma pastelaria, mas foi porque adora ducheses. Fora isso, cadastro limpo. O Trovão não merecia.

E a Madonna também não, ela que fez tanto por Portugal.

Foi a Madonna que disse ao mundo que Portugal não é uma região de Espanha, mas, sim, aquele país pobre ao lado de Espanha.

Foi a Madonna que "instagramou" para o mundo o facto de Portugal ter restaurantes, bares, casas, passeios, pessoas, eletricidade, ar, e tantas outras coisas maravilhosas que o mundo desconhecia sobre o nosso país.

Foi a Madonna (veja-se a genialidade da artista) que revelou aos portugueses que a Amália Rodrigues tinha uma irmã. E, se para os portugueses foi uma surpresa, imaginem o que teria sido para a Amália.

Portanto, o que ela fez, agora, foi normal. Encarnou a diva e disse "I’m borrifating para vocês, you go lixating yourselves and see if I care": cancelou dois concertos e voltou a viver nos iuéssay. Foi bem feito.

Ainda mais bem feito era ela – tipo namorada que acaba uma relação – apagar todas as suas fotos no nosso país, e começar a "instagramar" fotos com o seu novo amor, Espanha, com legendas irónicas do tipo:

"Spain, a beautiful country where horses pueden entrar en los palacios!"

"I’m in a spanish bullfight, much better than some little touradinhas in some little countries. Olé!"

"Having a muy buena paella, mucho mejor than some stupid rice de lingueirão!"

"Sometimes God closes uma janela manhosa, and opens una puerta increíble!"

Isto sim, isto é que doía.

No nosso orgulho. Na nossa auto-estima. No nosso turismo.

Por isso, vá, a bem do país, sorriam quando ela cantar o Fado, naquela língua gira que ela acha que é português. E, se for preciso, deixem-na gravar um videoclipe com cavalos e girafas nos Jerónimos. Vai na volta, ainda ganha um Grammy.

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