Júlio Machado Vaz conversa com Manuel Sobrinho Simões: "Cancro tem de ser encarado como uma doença crónica"

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É possível tornar o cancro numa doença crónica
Cancro como doença crónica?
Manuel Sobrinho Simões: «Vamos ter cada vez mais cancros, dos mais variados tipos»
O envelhecimento e a oncologia
Que cuidados devemos ter para prevenir o cancro?

Na rubrica "Por Falar Nisso", powered by Multicare, o médico psiquiatra Júlio Machado Vaz conversou com Manuel Sobrinho Simões sobre o cancro.

Júlio Machado Vaz começa por pedir ao Diretor do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) para explicar a ideia que defende de que "o cancro é uma doença crónica".

Manuel Sobrinho Simões explica que há algumas ideias preconcebidas em relação à doença oncológica que importa desmistificar: "Primeiro, a ideia de que se 'apanha' um cancro. Um cancro é algo que vem de dentro e que, na maioria dos casos, demora muitos anos a fazer-se. Portanto, desde o início, não é uma doença aguda."

O investigador defende que, "independentemente do tempo que demorou a fazer", "há agora aquilo que é a doença", que pode, então, ser designada de crónica: "nós somos capazes de controlar a doença. Nós não curamos sempre a doença. Curamos quando o cancro é inicial e quando o diagnóstico é precoce, e é, muitas vezes, cirúrgico ou por radioterapia. Mas, quando se trata de um cancro que já está de alguma maneira avançado, é possível torná-lo uma doença crónica."

Júlio Machado Vaz estabeleceu, então, um paralelismo com doenças como a Sida ou diabetes, havendo uma latitude de comportamentos que pode favorecer o paciente. "Tudo o que a pessoa puder fazer que reforce o hospedeiro, ajudando a tratar com alguns medicamentos que enfraquecem as células malignas", advoga Manuel Sobrinho Simões: "O truque hoje é dar a impressão que, se reforçarmos as defesas do hospedeiro, isso é tão os mais importante do que os tratamentos agressivos contra as células malignas."

O médico psiquiatra quis, também, perceber qual a melhor frente de ataque: a quimioterapia ou a imunoterapia, "que, por vezes, são postas em oposição". "Sempre as duas em conjunto, de forma sequencial", respondeu o diretor do IPATIMUP, antes de elucidar acerca da estratégia de tratamento que costuma adotar.

Durante o episódio da rubrica "Por Falar Nisso", powered by Multicare, Sobrinho Simões, considerado, em 2015, o patologista mais influente do mundo, pela revista "The Pathologist", esclarece, ainda, que o segredo não é a precisão, "mas a personalização do tratamento".

Prosseguindo a abordagem ao tema da Oncologia, Júlio Machado Vaz questionou Manuel Sobrinho Simões sobre os cuidados preventivos em relação ao cancro.

Há alguns fatores de risco, como a obesidade, a diabetes ou o tabagismo, que acarretam "um risco muito grande", refere o investigador que explana que "a inflamação crónica" é o principal gatilho da doença oncológica.

"A primeira coisa que as pessoas devem pensar sempre é se há algum risco de cancro na família e que tipo de cancro", esclarece, continuando: "A pessoa tem de evitar toda e qualquer agressão disparatada, como a exposição ao sol, beber demais, (...) as substâncias incluídas na alimentação ou tratamentos."

O investigador defende que há patologias com maior incidência em determinadas zonas do país, como o cancro da pele no Alentejo ou cancro no estômago no Norte do país. Aliás, nas palavras de Manuel Sobrinho Simões, o que distingue Portugal dos países europeus ocidentais é "uma elevada taxa de cancro do estômago".

Júlio Machado Vaz estabeleceu, então, um paralelismo com a diminuição da prevalência deste tipo de cancro no Japão e, segundo advoga Manuel Sobrinho Simões: "Na China, ninguém sabe, mas vai ser uma explosão."

Júlio Machado Vaz continuou a conversa com Manuel Sobrinho Simões, em mais um episódio, para explicar como se pode apostar na prevenção do cancro, partindo da afirmação do diretor do IPATIMUP: "O cancro em Portugal vai continuar a aumentar."

"Vamos ter cada vez mais cancros, dos mais variados, e em homens e mulheres", vaticinou o investigador, antes de afirmar: "Nós não vamos morrer de cancro, mas de falência dos sistema, infeções e velhice."

Além disso, conforme alertou Júlio Machado Vaz, há que ter cuidado com os avanços na área do diagnóstico: "Melhorando muito a capacidade diagnóstica, é preciso bom senso, porque isso pode levar a uma hiper intervenção."

Manuel Sobrinho Simões acrescentou, também, que, no caso das crianças, ao contrário da ideia difundida, "o cancro não está a aumentar, há é mais diagnóstico e está a ter muito bom tratamento."

Durante o episódio da rubrica "Por Falar Nisso", powered by Multicare, Sobrinho Simões, considerado, em 2015, o patologista mais influente do mundo, pela revista "The Pathologist", esclarece, ainda, que o principal problema é o "adulto jovem, que tem um cancro que é, geralmente, agressivo e avançado". No final, remata: "O cancro não me assusta, mas sim as doenças neuro-psiquiátricas."

Assista, agora, aos episódios, na íntegra.

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