Após declarações polémicas, Joana Latino é criticada por vários artistas: "Barbaridades"

Joana Latino

Joana Latino voltou a protagonizar uma nova polémica que deixou muitos artistas revoltados. Várias foram as caras conhecidas que se manifestaram, nas redes sociais.

Durante o programa "Passadeira Vermelha", Joana Latino elogiou a iniciativa de Bruno Nogueira, com os famosos diretos de Instagram durante a quarentena, acabando por minimizar os restantes artistas do país: "Os artistas, em vez de fazerem tantos discursos miserabilistas, catastrofistas e de autocomiseração, deviam mexer-se".

"E uma série desses artistas continuam a não se mexer e se calhar deviam olhar para este exemplo, desta equipa que teve uma trabalheira durante dois meses. Fizeram o inimaginável que foi transformar a adversidade na melhor coisa possível. Isto foi bombástico. Isto é que é ter amor à profissão e ter sentido de responsabilidade e de utilidade", continuou.

Este discurso não deixou ninguém da comunidade artística indiferente, nomeadamente, o realizador Vicente Alves do Ó: "Joana, a diferença entre os diretos do Bruno Markl e uma companhia de atores da Covilhã é, e continua a ser, sempre a mesma: sentido de oportunidade, centralismo e mediatismo. O Bruno cresceu na televisão. Todos nós acompanhamos a sua carreira, desde a piada 'do senhor do bolo'. O Bruno tem construído o seu protagonismo entre a televisão, teatro e a rádio. O Bruno, que até podia estar quieto, preferiu fazer isto, porque sim e porque pode. Não porque tenha que, desesperadamente, passar uma ideia de necessidade. Deu-lhe na real Gana e ainda bem que assim foi. Mas não menorizes todos os outros que não são conhecidos, que fazem um live para 4 pessoas e que, ao ficar em casa com os teatros fechados, não têm como comprar comida."

Também o ator Manuel Moreira manifestou-se quanto à controversa, e questionou: "Se a Joana Latino dissesse estas mesmas barbaridades sobre os agricultores, sobre os lojistas, sobre os produtores de queijo, sobre os tatuadores, etc, também não tinha contraditório? Os seus colegas continuariam a não ficar chocados? Eu adorava que o Bruno Nogueira ou a Inês ou o Nuno Markl ou a Jessica Athayde ou o João Manzarra explicassem à Joana Latino que não curtem ser glorificados neste contexto de oposição a toda uma classe que esta jornalista ofende recorrentemente. E que, ao contrário do que ela diz, se tem 'mexido' muito."

"Alguns foram trabalhar para caixas de supermercado, para restaurantes take away, para a Uber, porque as contas não se pagam sozinhas e os 290 euros que alguns (não todos) tiveram o privilégio de receber não chegam para viver, e nem todos têm 500 mil followers no Instagram para seguir os seus lives e, mesmo que tivessem, os lives não pagam a renda da casa. Adorava que, por uma vez, os disparates que são ditos no mainstream por alguns alarves ignorantes não passassem pelos pingos da chuva e que os meus colegas da SIC, casa que muito estimo, dessem um contraditório a esta parvalhona", contiuou. 

E eis que Nuno Markl manifestou-se, sendo parte integrante do projeto de Bruno Nogueira, tecendo as seguintes palavras: "Não é bonito ver o 'Como é que o bicho mexe' ser usado como arma de arremesso contra a classe artística, como se os diretos do Bruno se revelassem, afinal, a solução mágica para os graves problemas de uma quantidade tremenda de profissionais da cultura, em extraordinárias dificuldades nestes tempos."

"É grosseiro e demagógico, quase num nível Bolsonárico, que se levante a questão 'De que se queixam, se está provado que é só ligar o Instagram e criar uma oportunidade de trabalho?'. O Bicho nunca foi, nem pretendeu ser um modelo de negócio ou um ganha-pão para os seus intervenientes. Diria até que todos os que entrámos nesta aventura do Bruno somos bastante privilegiados: a nenhum de nós falta trabalho, nenhum de nós está a passar fome. Mas há muita gente que está, e não são só 'os artistas', são todos os profissionais cuja vida depende das mais diversas atividades culturais. Achar que é só improvisar uns diretos, lembra os gurus empreendedores que, no auge da crise - e eles devem estar a reaparecer - diziam que cabia ao povo não se queixar e ter motivação e criatividade, o que é a falácia mais manhosa e insultuosa de sempre", continuou o locutor.

"Além disso, atacar os agentes da cultura é retórica facha: a ideia de que a arte é coisa supérflua, que há 'coisas mais importantes' e que a vida de artista se resolve com um estalar de dedos é pantanosa, triste e injusta. A classe artística não é queixinhas - é feita de muita gente com vidas, com famílias, e que há meses que tem a sua vida suspensa, com tanto trabalho adiado sine die, ou mesmo definitivamente cancelado", concluiu.

Entretanto, depois de Nuno Markl ver o seu nome como adversário de Joana Latino nas manchetes da imprensa, fez questão de negar a "presumível guerra entre si e a Joana Latino":  [...] Guerra que, na verdade, não existe. Eu conheço a Joana desde a escola. Fomos colegas, amigos e fizemos rádio juntos na mesma estação pirata. Entristeceu-me vê-la num programa que existe para alfinetar, a alfinetar sem critério, sem conhecimento, coisas que não se esperam de uma jornalista. Mas ela não é o único problema. O problema já existe antes e continua depois do que a Joana disse. Será mesmo preciso continuar a haver programas ou rubricas para alfinetar sem critério, só porque sim?[...]"