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EXCLUSIVO

Miguel Araújo: "Todas as minhas músicas românticas ou de amor são sobre a minha mulher"

Miguel Araújo na SELFIE
O genérico da nova novela «Bem Me Quer»

Miguel Araújo compôs o tema do genérico da nova novela da TVI, "Bem Me Quer". Em conversa com a SELFIE, o músico falou sobre o que o inspira a escrever temas que marcam a vida de muitas pessoas.

"Recebo muitas mensagens e fico muito emocionado com as histórias que me contam. São uma espécie de oxigénio para eu me sentir bem a fazer o que faço", começa por contar Miguel Araújo, a propósito das histórias de amor que tiveram temas seus como banda sonora.

Miguel Araújo explica, ainda, que recebeu "muitas mensagens de gente que não se sentia feliz no seu trabalho e ia pensar em alternativas, ou gente que tinha músicas feitas, não tinha coragem de as mostrar e, finalmente, publicou-as no YouTube".

O músico elucida como se inspira para escrever as letras: "Eu evito ser moralista nas minhas letras. Coisas como 'faz isto ou faz aquilo', 'não faças isto ou não faças aquilo', eu sou incapaz de fazer isso numa música minha, pelo impedimento até estético. É uma coisa que não gosto mesmo, não tem a ver com achar que melhora ou piora o mundo. Coisas moralistas afastam-me muito como ouvinte, por isso, acabo, também, por não pôr nada nas minhas músicas."

Sobre o papel das redes sociais, que cultiva "por um lado mais positivo", Miguel Araújo frisa: "É a minha maneira de estar. Quem tem mais de 100 mil seguidores numa coisa dessas, não pode dizer que não tem uma responsabilidade. Então, eu evito ser moralista e só ponho coisas inócuas ou inócuas e inofensivas. A Madre Teresa de Calcutá dizia coisas como: 'Não me peçam para ser contra a guerra, peçam-me para ser a favor da Paz'… Eu, também, não sou contra coisas. Sou a favor de coisas."

Com ídolos como Chico Buarque, Mark Knopfler, Rui Veloso, Carlos Tê, Bob Dylan, Paul McCartney, Sting ou Marcelo Camelo, "só para citar alguns", Miguel Araújo afirma que não se preocupa muito com a sobrevivência da sua música em concreto. "Sei que daqui a 100, 200, 300, 400 anos…não vai haver vestígio das minhas músicas, nem da língua em que essas músicas eram cantadas, mas o que é certo é que todo o trabalho criativo que se faz deixa o seu efeito, pelo menos, no momento. Nem que seja pela tal pessoa que tinha medo de lançar as suas músicas, mas, graças à música, acabou por partilhá-las… ninguém pode dizer o que é que daí virá. Eu tenho a certeza absoluta de que a minha música, por mais limitada que seja, mais insignificante - porque é sempre limitada e bastante insignificante -, quanto mais não seja porque é música de um país muito pequeno, numa língua que até é muito falada no mundo, mas só os portugueses ouvem música portuguesa. Os brasileiros, por exemplo, não ouvem, nem os africanos. Mas, por mais insignificante, que seja a minha música, tem sempre um significado infinito e eterno dessa maneira, porque são pequenas pedrinhas num pequeno charco, cujas ondas se propagam em espiral e ninguém sabe o que é que poderá vir daí", descreve o autor de "Talvez Se Eu Dançasse", antes de contar: "No outro dia, mandaram-me uma foto de uma cirurgia em que estavam a ouvir a minha música. Se isso ajudar a que a cirurgia corra melhor, é isso que a música faz, é esse o efeito que a música tem."

Sobre a fonte de inspiração, Miguel Araújo não tem dúvidas de que é a mulher, a cenógrafa Ana Araújo, com quem tem três filhos: "Todas as minhas músicas românticas ou de amor são sobre a minha mulher, sem dúvida nenhuma! Tenho uma música dedicada à minha mulher, outra dedicada aos meus filhos..."

"Houve uma altura em que fazia músicas mais abstratas, mas, depois, comecei a fazer músicas sobre pessoas que existem em concreto. O tema 'Balada Astral' foi feito para o casamento de uns amigos meus. De repente, passei a usar matéria prima real para as minhas músicas", conta, ainda, o músico.

Depois, Miguel Araújo desvenda o segredo da fórmula das suas canções. "Eu falo, sobretudo, sobre coisas que são do meu conhecimento, porque senão não seria possível escrever de uma forma credível sobre elas e, quanto mais concreto e minucioso se é numa descrição literária e poética, mais universal ela se torna, por muito paradoxal que isto possa parecer. E só dá para ser minucioso e concreto conhecendo as coisas de que se fala, só sendo assim é que essa universalidade acontece", remata.