urlvisit
SELFIE SEM FILTROS

Pedro Crispim: "Se eles morrem, acabo por ficar sozinho"

Pedro Crispim: "Se os perder, perco muito de mim"
Pedro Crispim: o primeiro amor, a homossexualidade e o desejo de casar e ter filhos
Pedro Crispim: "Aos 50 anos, não quero estar a trabalhar, nem em moda, nem em televisão"
Pedro Crispim recorda episódio violento: "Ataram-me a uma árvore e bateram-me"
Pedro Crispim como nunca o viu, na SELFIE SEM FILTROS

Convidado da rubrica SELFIE SEM FILTROS, Pedro Crispim fala sobre o amor que sente pelos pais, a quem aloca o que tem de melhor.

"Não sou de rambóias, não sou de sair à noite, não sou das festas. Acho que já fui e fui deixando de ser. Como trabalho num meio com tanto movimento, tanta energia, tantas pessoas, tantos egos e tantas vontades… procuro o equilíbrio no silêncio e na solidão opcional. E, nesse sentido, esta solidão que o mundo está a viver, a mim, de alguma forma, até me equilibra. Custa-me não estar com os meus pais, mas, de resto, vivo muito bem sozinho", começou por contar Pedro Crispim, referindo-se a pandemia Covid-19, que o tem mantido afastado da família. 

"O meu pai é um doente crónico e, obviamente, nós temos todos os cuidados possíveis por causa disso. O meu irmão mais novo está cá, o meu irmão mais velho está em Espanha, por isso, tenho consciência de que sou eu que, de alguma forma, vou estar mais perto deles, se alguma coisa correr mal, porque não sou casado, não tenho ninguém e, também, não tenho família. Acabo por sentir que tenho ali quase uma missão em relação a eles, porque os meus irmãos, obviamente, têm a vida deles. Sinto que é esse o papel que é esperado de mim. Sinto que eles sentem que vai ser esse o caminho", confessou o stylist, visivelmente comovido.

Mas não é só na vida pessoal que Pedro Crispim assume este papel de cuidador: "Na profissão que escolhi, que é trabalhar em moda, ser consultor de imagem, lido com muitas pessoas, muitas energias, muitas realidades, trabalho com emoções, diariamente. Então, acho que acabo por ser um cuidador, até, a nível profissional. Mesmo com os meus amigos, sinto que sou sempre aquele que leva o barco, que cuida e, por isso, é que, às vezes, é bom aquele meu silêncio, porque uso isso para me reconstruir, para me reerguer. Nós achamos que os nossos amigos são a família que escolhemos, mas, na verdade, nós, também, sabemos que eles têm a verdade deles e a realidade deles. Eles têm a família deles. Os meus amigos têm os filhos deles, os pais deles, os maridos, as mulheres… e têm vida deles. Portanto, tenho que gerir este meu sentir, os meus medos, e, muitas das vezes, é uma gestão solitária, mas possível."

Questionado sobre se faz questão de dizer sempre o que sente aos seus, o comentador do "Big Brother" sublinhou: "Sempre disse. Lembro-me de ser miúdo, de saltar da cama e de ir às escadas do prédio, sempre que a minha mãe descia para ir trabalhar, e gritar 'Mãe, amo-te muito', e voltar para a cama. Sempre fui muito franco em relação ao que sinto, e nunca senti que isso me fragilizou, que me fez sentir menos forte, pelo contrário. Acho que é preciso muito para assumirmos quem somos e aquilo que sentimos."

Sem conseguir conter a emoção, Pedro Crispim falou, ainda, sobre o medo que tem de perder os pais: "Quem tem uma segunda família, quem tem alguém na sua vida, quem tem filhos, acaba por ter uma segunda oportunidade. Obviamente, eu aloco o meu amor todo aos meus pais e, nesse sentido, é mais complicado gerir, porque sei, perfeitamente, que, se eles morrem, acabo por ficar um bocado sozinho. De forma egoísta, esse sentir acontece-me diariamente, esse pensamento. Sinto que, se os perder, perco muito de mim, e sinto que na sua vida está o meu melhor. Aloco a eles aquilo que tenho de melhor em mim, e dói-me pensar que os posso perder, se bem que sei que vai acontecer, obviamente."

"Há pouco perguntaste-me: 'Alguma vez foste amado?' Sim, já fui, mas amor incondicional é só ali que existe, não encontro, nem encontrei, em mais nenhum lado", rematou.

Leia a entrevista, na íntegra, AQUI.