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SELFIE SEM FILTROS

Pedro Crispim: "Ataram-me a uma árvore, com cordas, e bateram-me"

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Convidado da rubrica SELFIE SEM FILTROS, Pedro Crispim recorda a infância e a adolescência, em que foi vítima de bullying, devido ao peso e à orientação sexual.

Entre as piores memórias, o comentador do "Big Brother" lembrou um episódio violento que viveu em miúdo: "Havia um bosque perto da escola e nós íamos para lá brincar nos baloiços e houve uma vez em que os meus colegas me ataram a uma árvore, com umas cordas, e que me bateram... e eu fiquei ali o horário todo da escola, à chuva, até ao final do horário, até os contínuos irem dar por mim ali. E lembro-me de que que quando foi para apresentar queixa eu não quis."

"Nunca senti raiva, nem de quem me fazia mal. Porque achei sempre, e ainda hoje acho, que sempre que me faziam mal é porque a pessoa não estava bem. Às vezes, quando leio algumas coisas ou quando me tratam de uma certa maneira, acho sempre que essa pessoa está magoada, está ferida, que é infeliz. Aliás, acho sempre que isso mostra mais sobre eles do que sobre mim", acrescentou Pedro Crispim, antes de confessar que perdoou essas pessoas, para se poder libertar do passado: "Obviamente que aquilo que foi dito, aquilo que experienciei fez muito com que me tornasse mais forte, mais assertivo, mais focado. Nunca me pude encostar à boleia de nada, nem de ninguém, tive que me fazer à vida, portanto, também tenho de estar agradecido a essas pessoas. Perdoei, mas não esqueci. Obviamente, perdoei, acima de tudo, por uma questão egoísta, para tornar o meu caminho um bocadinho mais leve. É engraçado que, hoje em dia, a esta distância, olho para trás e não sinto dor. Acho que esse perdoar tem a ver com esse sentimento de apaziguar, que acho que é essencial para todos nós."

"Existiram dias em que os meus pais queriam entrar dentro da escola, porque sabiam o que se passava. Calculo que, para quem é pai, não deve ser fácil ver o filho chegar a casa magoado, com feridas, emocionalmente instável. Hoje em dia, isso tem um nome, mas, antigamente, não tinha. Hoje em dia, isso não é aceite, mas, antigamente, 'fazia-nos mais fortes', não é? Enquanto mãe... tu crias um filho e, depois, tens pessoas a fazerem-lhe mal… Como é que isto é possível? Como é que consegues encaixar isso na tua cabeça? Como é que aceitas isso? Como é que te levantas, de manhã, e te deitas, à noite, tranquila? Não é possível, pelo menos, para alguém que é mãe à séria. Não é fácil para uma mãe estar a trabalhar e estar a pensar: 'O que estará a acontecer com o meu filho?' E saber que, garantidamente, vai acontecer alguma coisa. Aliás, quando havia uma manhã ou uma tarde em que não acontecia alguma coisa, eu quase acendia uma vela, porque é quase como andares entre os pingos da chuva. É entrares no intervalo e saberes que, naquele corredor, vai acontecer, no bar, no portão da escola… desde o minuto em que entras, até ao minuto em que sais... e que, no meio daquilo, tens de estudar, porque tens de passar, e tens que sobreviver", contou Pedro Crispim.

Os pais fizeram com que nunca desistisse: "Às vezes, pensava: 'Como é que era se me acontecesse alguma coisa? Como é que os meus pais geriam isto?' Havia muitas ameaças físicas e eu andava pelos caminhos sozinho e pensava: 'E se me acontecesse alguma coisa?' E pensava sempre na minha mãe e no meu pai. Basicamente, acho que tens aí a resposta: os meus pais foram sempre o meu farol. Quando me sentia perdido, acabava por me encontrar com a luz deles. Os meus pais, durante toda a vida, me fizeram sentir especial. Dentro de casa, sabia que tinha o conforto, que tinha o amor."

Foi, então, aos 16 anos, altura em que pesava 106 quilos, que Pedro Crispim iniciou o processo de perda de peso. Um ano depois, estava a participar num concurso de moda. 

"Depois de emagrecer, procurava alguma aceitação. Quando tu és gordo, ninguém olha para ti como alguém giro, como alguém com potencial ao nível de imagem. Infelizmente, temos uma sociedade muito espartilhada a esse nível, mas, a determinada altura, achei que me fazia bem ouvir: 'Agora sim, agora, estás pronto.' E percebi que, ao contrário de muita gente que sublinha a moda como algo destrutivo e negativo, para mim, a moda foi um bocadinho uma bóia de salvação. Lembro-me perfeitamente de que fui a um casting com a minha mãe, alegando que tinha enviado fotografias para um concurso de fotografias - porque eu estava em artes e ofícios -, mas não! Eu tinha enviado fotografias minhas, só que tinha vergonha, porque, como nunca ninguém tinha dito que eu era bonito e nunca ninguém tinha chamado a atenção para a minha estética, achei que era estranho eu dizê-lo e achei que me estava a candidatar a um lugar que era avaliado pela imagem. Mas, pronto, ela foi comigo, e, depois, a determinado momento, percebeu que era para ser manequim. Mas para a minha mãe está sempre tudo bem", recordou.

Leia a entrevista, na íntegra, AQUI.