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EXCLUSIVO

Psicóloga Teresa Paula Marques: "Sinceridade ou sincericídio?"

Teresa Paula Marques
Doutorada em Psicologia
Teresa Paula Marques

Oiço frequentemente dizer, com alguma dose de orgulho, frases do tipo: "Eu sou muito sincero/a, digo tudo o que penso!" ou "Eu não tenho filtros!". No entanto, como afirmou Óscar Wilde, "pouca sinceridade é uma coisa perigosa e muita sinceridade é absolutamente fatal".

A sinceridade é, incontestavelmente, uma virtude, uma vez que significa dizer a verdade, mas, também, se pode transformar numa arma poderosa, quando não é utilizada em conjunto com a empatia e a inteligência social. Aí, entramos no campo do sincericídio.

Este termo resulta da união das palavras sinceridade e suicídio, já que as atitudes sinceridas afetam, negativamente, as relações sociais e são o motivo para o surgimento de grandes conflitos, conduzindo, muitas vezes, ao "suicídio social".

É preciso ter em conta que as palavras magoam, tanto ou mais do que as ações. Um comentário tanto pode servir para motivar como para destruir uma pessoa, já que, inevitavelmente, vai atingir a autoestima.

Posto isto, dizer a verdade sem pensar, sem limites, sem se preocupar com o que o outro sente, é apenas uma das, de entre muitas, formas de agredir alguém. Este tipo de atitudes não podem ser consideradas benéficas ou bem intencionadas. Além do mais, revelam um egocentrismo extremo e constituem uma forma de o sincericida se posicionar num plano superior aos demais.

Uma pessoa sincera pensa antes de falar e procura transmitir a verdade de uma maneira positiva, enfatizando  o que precisa ser dito, sem que isso vá ferir alguém. É um ato altruísta, já que tem como objetivo ajudar os outros numa área de maior fragilidade relacional.

Tudo se pode dizer, desde que seja "embrulhado" com gentileza e educação. Importa saber comunicar com sensibilidade, encontrando o momento e o contexto adequados

Assim sendo, "não ter filtros" significa não se preocupar com o impacto que as suas palavras podem ter nos outros, o que, além de ser incorreto, é, também, um ato de má educação e não uma virtude!

Teresa Paula Marques
Doutorada em Psicologia
www.teresapaulamarques.com
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