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EXCLUSIVO

Marcos Pinto: "Sozinhos em casa, precisamos de brincar! Uma palavra, senhor Ministro​"

OPINIÃO
Marcos Pinto
Jornalista TVI
Marcos Pinto

Os dias passam a correr. Como assim, se estamos recolhidos em confinamento, com uma rotina entre casa e trabalho? A verdade é que, como não há mais nenhum programa, por fora e pelo meio, os dias são todos iguais e nem se dá pelo tempo, que passa a correr, como uma trova escrita pelo mesmo ditado, a toda a hora.

Cá por casa, a Matilde e a Madalena acordam cedo, como se fossem para a escola, que é mesmo ali no quarto ao lado. Sob o acompanhamento da super-mãe, que está em teletrabalho, há aulas, fichas, projetos e trabalho autónomo...

E, com este andamento intenso, com lanches a meio da manhã e da tarde, chegam cansadas quando dá o último toque. Até mais do que se estivessem no ensino presencial.

Também em casa, não prescindem do recreio, que passa pela garagem, com corridas promovidas pelo pai, ultrapassado quase sempre na linha da meta. Digo quase, porque, como sou eu que estou a escrever este texto, ocorreu-me que o advérbio pode ajudar a defender a minha imagem (risos).

Sozinhos em casa, a casa tem sido o palco da imaginação - a cama é o trampolim do ginásio, a sala é o casino para jogar ao loto e à sueca, e a cozinha é um espaço gourmet, donde podem sair bolos surpreendentes com açúcar zero. Com tanto por fazer, o guião é reescrito no dia seguinte, com novidades, ou repete-se a cena, se a diversão for garantida.

As crianças são os "heróis" deste tempo. Os pais estão a dar tudo. Os professores fazem o melhor que sabem. E, por isso, senhor Ministro da Educação, esta crónica também é para si, caro Tiago Brandão Rodrigues - é fundamental passar uma mensagem de tranquilidade para a comunidade escolar. Os docentes e os diretores precisam de uma palavra sua  - que estes tempos são excecionais e que as crianças precisam de tempo para crescer. Para brincar. E se o programa curricular não for cumprido, se houver um dia sem trabalhos, não vem nenhum mal ao nosso mundo, que não é este, porque os "grandes heróis" saberão recuperar o trilho do conhecimento e da evolução, numa velocidade supersónica, na escola onde eles tanto gostam de estar. Com nota máxima. Na certeza de que esta pandemia possa deixar um impacto positivo e não venha a ser apenas uma recordação daquele tempo em que estivemos fechados, sem tempo para brincar - o medicamento que os filhos mais gostam de tomar.