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Morreu a atriz Natália de Sousa

com Lusa
Natália de Sousa

Natália de Sousa, 73 anos, morreu, esta quarta-feira, dia 11, disse à agência Lusa o ator Paulo Vasco.

De acordo com a agência Lusa, a atriz Natália de Sousa morreu, aos 73 anos, esta quarta-feira, dia 11. Nas redes sociais, sucedem-se as homenagens.

"O Tony Silva perdeu a sua coelhinha. Fica a memória de tempos gloriosos, e de aventuras televisivas que ficam para a história. Aplausos!", escreveu Herman José. Também João Baião pediu "um aplauso para Natália de Sousa". Já Noémia Costa recordou: "Conheci a Natália, em 1983, no musical 'Annie'. Hoje, o pano da vida fechou. Vai em paz."

Natália de Sousa ficou conhecida como uma das "coelhinhas" que acompanhavam a personagem Tony Silva, em "O Tal Canal", programa de que fez parte, integrada na equipa de base, liderada por Herman José, e para o qual compôs diferentes personagens, contracenando com atores como Helena Isabel, Lídia Franco, Margarida Carpinteiro, Manuel Cavaco e Vítor de Sousa.

A atriz esteve no grupo fundador da companhia Ádóque - Cooperativa de Trabalhadores de Teatro, que construiu o seu próprio palco, no largo do Martim Moniz, em Lisboa, após o 25 de abril. Entrou na revista inicial, "Pides na Grelha", em 1974, e na produção seguinte, a "CIA dos Cardeais", de 1975.

Com esta companhia destacam-se, igualmente, os seus trabalhos em "A paródia" e "Ó da guarda!", em 1977, "Chiça! Este é o bom governo de Portugal" e "Paga as favas", de 1980 e 1981, respetivamente, depois de ter atuado em "A Batalha do Colchão", que esteve em cena em 1977, no Teatro Capitólio, também em Lisboa.

No mesmo ano, participou, ainda, na revista "Ó da Guarda", no Teatro ABC, e, em 1978, fez parte do elenco de "Aldeia da Roupa Suja", também produzida pela empresa de Vasco Morgado, no Teatro Variedades, outro palco no Parque Mayer, na capital.

Aqui, no início dos anos de 1980, entrou, igualmente, na revista "Não Há Nada Pra Ninguém", do Teatro Maria Vitória, no qual participou, pouco depois, em "Sem Rei Nem Rock".

Em 1983, entrou no musical "Annie", no Teatro Maria Matos, onde contracenou com Manuela Maria e Canto e Castro, entre outros atores.

No teatro, participou, ainda, em várias comédias, até meados da década de 1990, entre as quais "Coronel em Dois Actos", de Jean-Jaques Bricaire e Maurice Lasaygues, adaptada aos palcos portugueses por Francisco Nicholson, com Alina Vaz e Camilo de Oliveira, que esteve em cena durante quase um ano, no Teatro Variedades.

Na base de dados do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa encontra-se, igualmente, a sua participação em "Filomena Marturano", de Eduardo de Filippo, numa encenação de José Osuna, com Mariana Rey Monteiro e Paulo Renato, estreada no Teatro Maria Matos e que, depois, se estendeu à plateia maior do Teatro Monumental.

No cinema, fez parte do elenco de "Um Crime de Luxo" (1991), de Artur Semedo, tendo contracenado com Henrique Viana, Carlos Cunha, Marina Mota e o próprio realizador.

Natália de Sousa teve presença regular na televisão, nas décadas de 1970 a 1990, em particular nos programas de Herman José, como "O Tal Canal" e "Hermanias", e noutras produções de comédia, como "Lá em Casa Tudo Bem", "As Aventuras do Camilo" e "Milionários à Força".

A atriz, no entanto, também fez papéis dramáticos, como em "O Homem que Matou o Diabo", série da RTP sobre o romance de Aquilino Ribeiro, produzida em 1979, "Antígona", de Jean Anouilh, filmada para a televisão pública, em 1984, e "Ricardina e Marta" (1990), novela baseada nos romances de Camilo Castelo Branco.

Desde a atuação no programa musical "Pifelim", da RTP, no início da década de 1970, até à reunião do elenco de "O Tal Canal", que Herman José empreendeu em 2018, numa emissão de "Cá por Casa", o nome de Natália de Sousa atravessa perto de cinco décadas de televisão portuguesa, com presença regular em produções que vão de "Nicolau no País das Maravilhas" (1975) e "Eu Show Nico" (1980), de Nicolau Breyner, às "Excursões Air Lino" (2018), com Rui Unas, escritas por Mário Botequilha e Filipe Homem Fonseca, para a RTP1.

"Sabadabadu", "E o Resto São Cantigas", ambos de 1981, "Um Solar Alfacinha" (1990), "Não Há Duas Sem Três" (1998), "Médico de Família" (2000) e "As Taradas" (2003) são outras produções de espetáculo, comédia e ficção, que tornaram o rosto de Natália de Sousa um dos mais familiares em todo o país.