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Teatro está de luto: morreu o ator e encenador Jorge Silva Melo

O ator e encenador português Jorge Silva Melo morreu na noite de segunda-feira, dia 14, aos 73 anos.

com Lusa
Jorge Silva Melo
Jorge Silva Melo

A notícia da morte do encenador, escritor, realizador, ator e tradutor Jorge Silva Melo foi dada pelo pianista Nuno Vieira de Almeida.

"Um dos grandes, dos que mais fez durante décadas a fio, escrevendo, encenando, ensinando, filmando, representando, deixou-nos hoje. Muito se dirá amanhã sobre ele, por quem esteja mais bem preparado para o fazer do que eu. Eu estou apenas triste. Este início de ano com mortes sucessivas, guerra, solidão, tem sido devastador", escreveu o músico.

Jorge Silva Melo estava internado no Hospital da Luz, em Lisboa.

Com mais de meio século de carreira ligada ao teatro, Jorge Silva Melo foi um dos nomes fundamentais do palco em Portugal das últimas décadas.

Cofundador do Teatro da Cornucópia, em 1973, com Luís Miguel Cintra, e fundador dos Artistas Unidos, em 1995, que dirigiu até à sua morte, Jorge Silva Melo ocupava "um lugar só dele na cultura em Portugal", como escreveu a Cinemateca Portuguesa, em 2020, aquando do ciclo que lhe dedicou.

Jorge Silva Melo nasceu em 07 de agosto de 1948, em Lisboa, cidade onde morreu, na segunda-feira, aos 73 anos, vítima de doença oncológica, como informou a companhia Artistas Unidos, que dirigia. Foi também em Lisboa que se licenciou em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da universidade clássica (FLUL), na década de 1960, e onde veio a fazer parte do Grupo de Teatro de Letras, interpretando, entre outras peças, em “Anfitrião”, de António José da Silva, com Luís Miguel Cintra.

Medalha de mérito cultural em dezembro do ano passado, recebeu um doutoramento ‘honoris causa’ pela Universidade de Lisboa (a par de Cintra), em abril desse mesmo ano. Em 2020, recebeu o Prémio D. Diniz da Casa de Mateus, pelo livro de memórias "A mesa está posta".

Pouco depois da entrada do século XXI, Silva Melo recusou o Prémio Almada 2003 para área do teatro, galardão atribuído pelo Instituto das Artes, alegando que "não compete ao Estado" distinguir o seu trabalho artístico.

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