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António Raminhos relata episódios do transtorno obsessivo-compulsivo

António Raminhos: «A médium foi a minha primeira psicoterapeuta»
António Raminhos recorda conversa com o pai: «Nunca me senti amado»
António Raminhos: «Tive um irmão que morreu antes de eu nascer»
António Raminhos compara a sua doença à toxicodependência
Goucha para António Raminhos: «Já te sentiste a enlouquecer?»

Em conversa com Manuel Luís Goucha, António Raminhos falou sobre a perturbação obsessiva-compulsiva de que padece e de como lida com este diagnóstico desde a infância.

O humorista acaba de lançar um livro, Somos Todas Estranhos, no qual aborda o transtorno com que vive desde os 8, 9 anos, idade em que identifica os primeiros episódios de ansiedade, em conversa com Manuel Luís Goucha, no programa "Goucha": "Senti algo mais fora do normal". Na altura, António Raminhos chegou mesmo a deixar de comer, depois de ter visto uma notícia na televisão. Os pais levaram-no a uma médium, procurando ajuda para o filho: "A médium foi a minha primeira psicoterapeuta."

A morte do irmão, antes mesmo do humorista nascer, também ajudou a influenciar as batalhas de António Raminhos no campo da saúde mental. "Acho que é importante sabermos a origem das coisas por uma questão de identificação, mas, a partir daí, bola para a frente", referiu.

"Obviamente que há a componente genética. A minha tia, irmã do meu pai, era obsessiva-compulsiva, e o meu pai também é, mas não sabe [risos]. A perturbação obsessiva-compulsiva tem muito a ver com a noção do controlo, com a incapacidade de viver na dúvida, de não controlar o que vai acontecer, então arranja-se modos que a nossa cabeça acha que consegue controlar", explicou.

"Acho que sempre implicou [sofrimento], mas não tinha noção", disse.

"Não consigo controlar, ninguém controla aquilo que pensa", explicou, relatando um dos episódios que mais o marcou, ao ter ido a um barbeiro, que lhe fez um pequeno corte, levando António Raminhos a pensar que tinha contraído alguma doença: "E se a lâmina estava contaminada com alguma coisa?"

"Digo que quem lida com questões da perturbação obsessiva-compulsiva vive como um toxicodependente ou como um alcoólico. [...] O obsessivo procura compulsão para encontrar alívio também", explicou.

Assista, agora, aos vídeos.