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Covid-19. Jornalista Mário Augusto chora morte: "Perdeu-se um homem bom"

O jornalista Mário Augusto mostrou-se de luto, nas redes sociais, prestando uma homenagem emotiva a um amigo que faleceu, vítima de Covid-19.

Foi neste domingo, dia 4, que faleceu o autarca de Viseu, António Almeida Henriques, vítima de Covid-19, aos 59 anos. Nas redes sociais, têm-se multiplicado as homenagens ao político. Mário Augusto foi uma das figuras públicas que não quis deixar de prestar um tributo ao amigo.

"Não vos sei dizer se a vida é, realmente, justa. O que eu sei é que, algumas vezes, é madrasta para quem a tratava com carinho e alegria, para quem celebrava, todos os dias, a sua existência com um constante sentido de dádiva e devoção pela causa pública. Era fácil estar aqui, agora, a soltar um chorrilho de palavras simpáticas, perante a dor de perda de alguém com quem partilhamos mil alegrias, muitas tertúlias, uma amizade sincera, muitas jantaradas e copos, tão próximo que era mais do que família. Era uma extensão da minha família de sangue. O Almeida Henriques... Para os amigos de Viseu, era, simplesmente, o Quim. Para os mais chegados, de casa, era o Tó", começou por escrever Mário Augusto.

"O meu amigo Tó partiu, talvez com a sua missão cumprida para com o universo, mas foi-nos roubado de repente, e sem contar, deixando pendurada, e a baloiçar de tristeza, uma conta corrente de confiança e alegria que transmitia aos que lhe eram próximos. Foi um agregador de entusiasmo. Alguns dos meus melhores amigos, para a vida, surgiram desse sentido agregador que ele tinha, juntando as pessoas certas como quem organiza um puzzle de peças que se combinam", acrescentou o jornalista.

Mário Augusto confessou sentir um vazio com esta perda: "Ninguém é perfeito. Também eu lhe apontava erros, mas ele era, na verdade, um homem bom e, como todos os bons de dentro para fora, nem sempre atraía os seus iguais na bondade. Político por convicção, autarca de 'terra aos ombros', fez de mim viseense, apesar de ter nascido perto do mar. Pelo Tó Almeida Henrique, também sou beirão. Esta madrugada, não quis lutar mais. A tristeza de perda provoca-nos, sempre, um vazio, um arrepio, porque os bons amigos são como os agasalhos. Quando os perdemos, fica uma certa falta de aconchego reconfortante, nos dias mais frios. Perdeu-se um homem bom para Viseu e eu perdi um amigo que abraçava como um agasalho."

"Que eu seja capaz, daqui para a frente, de ajudar a agasalhar aquela família, especialmente os três filhos muito jovens que vi nascer. Para o Tó, desejo mesmo que fique como uma brisa que nos sussurra segredos que entendemos como simples intuições. A vida é assim: misteriosa, aos nossos olhos, e nem sempre justa. O Tó foi uma das minha mais sólidas e fraternas amizades", completou.

Não vos sei dizer se a vida é realmente justa. O que eu sei é que algumas vezes é madrasta para quem a tratava com...

Posted by Mário Augusto on  Sunday, 4 April 2021