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SELFIE SEM FILTROS

Blaya mostra-se, como nunca a viu, na SELFIE SEM FILTROS

Blaya como nunca a viu, na SELFIE SEM FILTROS
Blaya: "Não me arrependo de nada"
Blaya: "Mostrem as vossas curvas! Os vossos parceiros vão adorar"
Blaya revela pormenores sobre o parto em casa
Blaya: o amor, as desilusões e o sonho de casar
SELFIE SEM FILTROS convida Blaya

Convidada da rubrica SELFIE SEM FILTROS, Karla Rodrigues, mais conhecida por Blaya, aceitou abrir o coração, numa entrevista reveladora.

"Eu sou Blaya desde os meus 14 anos, por isso, já está tudo muito junto. Mas, se calhar para aqueles que me conhecem melhor, eu sou uma pessoa muito calma. Gosto muito de estar em casa, sem muito barulho, sentada no sofá, sem televisão, só a olhar para a parede... e a Blaya já é um bocadinho mais dinâmica, com mais energia. A Karla também, só que a Karla não é sempre assim e, aos olhos das outras pessoas, a Blaya é sempre assim", começou por explicar a cantora, que é conhecida pelo nome artístico Blaya.

Questionada sobre o lado mais privado, a cantora revelou: "É uma seca (risos). Não, mas sou muito fria. Não gosto muito de beijinhos, nem de amassos… e a pessoa que está comigo percebe, perfeitamente, isso e aceita as coisas como são e respeita. [No que toca à amizade], acho que é um bocado complicado ser minha amiga. Também não tenho muita paciência para fazer amigos."

Sobre o campo amoroso, Blaya confessou, ainda: "Já sofri por amor e já fiz sofrer.... Se é fácil magoarem-me? Depende da intenção, depende do assunto, mas eu sou o tipo de pessoa que, também, dá muitas oportunidades. É do tipo: 'Ok, mais uma oportunidade, mas, agora, faz bem'. Mesmo no trabalho é assim. Vou dando várias oportunidades."

Já a propósito do fim da relação com o pai da filha, Pedro Russo, a cantora confirmou que continuam amigos, mas fez uma ressalva: "Nós somos amigos, até porque temos que partilhar toda a vida da Lau, e falamos sobre o essencial. Ele sabe do que se passa, eu sei do que se passa, por isso, está tudo bem. Uma coisa que quero deixar claro é que não podemos normalizar nem uma coisa, nem outra. Não podemos normalizar que os casais têm que ficar amigos, nem que têm que ficar inimigos. Todas as pessoas são diferentes e há algumas pessoas que, realmente, se separaram, porque não estava a dar, nem a comunicação estava a dar. Se normalizarmos a ideia de sermos amigos depois de uma relação, há muitas outras pessoas que vão ficar com um sentimento de culpa… Nunca podemos normalizar estes dois lados, as pessoas são todas diferentes, cada um sabe como é que pode resolver esta situação."

Prestes a ser mãe pela segunda vez e a viver uma nova história de amor, Blaya partilhou que ainda não se sente preparada para dividir casa com o novo namorado, João Barradas.

"O problema é o 'espaço casa', o meu espaço físico, aí é que é mais complicado, porque estou habituada a fazer as minhas coisas, sozinha, em silêncio, a sair às horas que quero, sem ter de dizer nada a ninguém… Se eu quiser fazer almoço, faço, se não, não faço. Ele, daqui a uns meses, vai mudar-se para a minha casa... Supostamente, já era para se ter mudado, mas ainda não se mudou, porque ainda não me sinto preparada para isso. Vai haver uma mudança tão grande que não estou preparada, preciso muito do meu espaço. Se calhar, só vai acontecer quando eu parir, ainda não sei, mas deixar entrar nesse espaço é que é mais difícil."

Apesar de tudo, a cantora não podia estar mais apaixonada: "Ao início, é aquele fogo, não é? Aquela paixão, que, por acaso, até hoje, ainda dura. Fazemos ambos música, há muita interação dele na minha vida em relação ao meu trabalho e muita compreensão, que acho que é muito importante numa relação, e diálogo. Acho que isso volta a apaixonar uma pessoa."

Casar também faz parte dos planos de Blaya: "Sim, quero casar, mas é só mesmo por causa da festa. O meu namorado - se eu casar com o meu namorado, espero bem que sim - é evangélico, então, não será pela Igreja, pode ser noutro sítio qualquer, uma coisa na praia, depois, festa, curtir, música e amigos."

Para a cantora, família é sinónimo de "suporte e união": "Os meus pais sempre estiveram atrás de mim. Nos momentos em que precisei, por exemplo, de dinheiro, eles deram-me dinheiro. Há pouco tempo, apetecia-me bolo de chocolate, - eles moram em Ferreira do Alentejo, que fica a mais de uma hora daqui - e a minha mãe fez o bolo de chocolate, foi até Setúbal, de propósito, só para me dar o bolo de chocolate… Então, são estes bocadinhos que, apesar de estarmos longe, acabam por ter muito significado na minha vida. Eles estão sempre lá, independentemente de tudo o que aconteça."

Apesar de tudo, saudades é um sentimento estranho para Blaya, que confessou: "Para mim, é muito difícil ter saudades. Como saí de casa muito cedo, acho que esse sentimento de saudade nunca esteve muito presente em mim. Até mesmo, por exemplo, com a minha filha - ela passa uma semana com o pai e uma semana comigo - às vezes, tenho saudades, mas, na semana em que não estou com ela, consigo fazer tudo e, depois, ok, estou com ela e, às vezes, acabo por não ter saudades."

Os ensinamentos que os pais lhe incutiram são, exatamente, os mesmos que pretende cultivar nos filhos, com uma pequena diferença: "Eu nunca estive muito com os meus avós e uma coisa que eu quero fazer com a Lau e com o novo rebento é que os avós estejam muito mais presentes na vida deles."

Ter mais do que um filho também era um desejo antigo: "Quando a Lau nasceu, passado um ano, eu já queria ter outro bebé, mas, naquela altura, o pai da Lau [Pedro Russo] não quis e eu respeitei, porque a decisão não é apenas de uma pessoa. Depois, nós terminámos e, agora, com o João, passado algum tempo, comecei a falar e ele ainda não se sentia muito preparado, porque ele já tem um filho, mas ele ainda é novo, tem 25 anos. Passado algum tempo, ele disse: 'Ok, tenho a certeza de que estou preparado.' E, pronto, aconteceu muito rapidamente."

Mas e como é a Blaya enquanto mãe? "Eu sou muito descontraída, divertida, gosto muito de desafios, sou bastante exigente, puxo muito pela minha filha para ela ter independência. A minha grande missão é... é difícil... essa pergunta é difícil... porque existem muitas missões, mas é ela crescer, sabendo que somos todos diferentes e que não há problema em sermos todos diferentes, e que devemos tratar toda a gente de igual, da melhor forma que conseguimos, e que devemos lutar pelos nossos direitos, que é muito importante lutar."

Desde que foi mãe pela primeira vez, muita coisa mudou na cantora, que confessou: "A paciência, agora, é, completamente, diferente. Eu não tinha paciência e, agora, com ela, tenho que ter paciência em todas as coisas. E ter paciência com ela deu-me para ter paciência com o resto das coisas todas. Antes, eu queria tudo no momento e, agora, se eu não tiver já, consigo esperar."

Prestes a ser mãe de um rapaz, a intérprete de "Faz Gostoso" não esconde algumas preocupações: "Esta aventura é um pouco diferente, para já, porque é rapaz. Antes da Lau, eu queria que fosse rapaz e, depois, nasceu a Lau e eu queria ter um casal, mas, fui-me afeiçoando à minha filha, à personalidade da Lau, que é rapariga, e então, para mim, é um desafio enorme vir aí um rapaz. Agora, vem outra coisa, completamente, diferente e eu não estou habituada. Não quer dizer que venha um rapaz que vai brincar com carros, comboios, lutas e super-heróis. Se vier, eu não estou preparada, mas vou ensinar-lhe as coisas que sei e da melhor maneira que sei. E, depois, também é diferente a aventura, porque o parto da Lau foi hospitalar e este parto vai ser em casa, e, então, é tudo uma cena mais… é diferente. Estou ansiosa, acho que vai ser incrível, isto é uma cena incrível. Uma mulher conseguir aguentar e viver, presenciar este momento de uma maneira única... Vai ser tão meu, tão focado em mim e no bebé. É uma força incrível. Eu já queria tê-lo feito com a Lau, mas, como era a primeira gravidez, pensei: 'Vou para o hospital, vamos simplificar'. Agora, quero mesmo que isto aconteça, vai ser tudo em casa, com parto na água, se tudo correr bem. Só com a parteira, a doula, o meu namorado… Quero que esteja alguém a tocar, também, para eu sentir a cena toda, uma energia a rolar."

A filha mais velha, a Lau, não podia estar mais feliz com a notícia de que vai ter um irmão, cujo nome já está escolhido: Theo.

"A Lau foi contar à escola toda, porque eles estavam a ter aulas via Zoom, e ela disse: 'A minha mãe tem um bebé na barriga!' Ela está muito contente, porque gosta de bebés, gosta de crianças, então, dá-me miminhos na barriga, beijinhos, abracinhos. Ela está muito feliz", contou.

Nesta fase, tem sido também muito importante para a cantora sentir-se bem com o corpo e sensual durante a gravidez: "É muito importante vermos as nossas curvas e não acharmos que estamos gigantes ou que é um exagero ou, até, que o próprio parceiro não acha isso atraente. Em primeiro lugar, nós temos que nos sentir atraentes e mostrar que estamos belíssimas. É uma modificação incrível do nosso corpo, porque há um ser que está a crescer! É uma fase mesmo muito memorável e acho que as mulheres têm que tirar partido disso e verem-se belas. Não verem como uma coisa má e feia… Mostrem as vossas curvas! Os vossos parceiros/as vão adorar as curvas."

"Quanto menos vergonha e receio eu tiver de querer puxar por outras mulheres e por outros homens, melhores vamos ser daqui para a frente, não é? Por isso, muitas das vezes, eu faço posts e publico fotografias, que, para algumas pessoas, são polémicos, mas, na verdade, eu publico porque sinto, porque me apetece. Não com a intenção de provocar, mas porque me apetece fazê-lo e porque sei que isso vai dar força a outras pessoas para, também, o fazerem. Acho que, cada vez mais, as pessoas estão mais à vontade para mostrarem quem elas são, mas, cada vez mais, estão a mostrar menos quem elas são. Então, uma pessoa, às vezes, tem de puxar as pessoas cá para baixo, para a realidade, e mostrar-lhes que nem todas as pessoas têm aquela realidade e podem ter aquela realidade. Todas as pessoas são diferentes e nós temos é que mostrar a nossa diferença e não ter receio dessa diferença", sublinhou Blaya,

"O tipo de dança que eu faço… acho que é por ter sangue brasileiro e por querer que as outras mulheres experimentem como é o corpo delas, querer dar-lhes a confiança de explorarem e de não terem vergonha de explorarem o corpo delas, mesmo que estejam sozinhas em casa. Eu gosto e quero que elas explorem e se sintam, cada vez mais, à vontade com o que elas têm e com o que elas são", acrescentou.

Passar esta mensagem não tem sido tarefa fácil, como contou a cantora: "Não é fácil. Uma pessoa vai levando por tabela, às vezes, sou muito mal interpretada, mas é um trabalho que tem de ser feito e que tem de ser feito durante muito tempo. As pessoas também não mudam o que têm na cabeça de um dia para o outro. Estão a nascer mais bebés e nós vamos ensinar a esses bebés como é que as coisas são... igualdade de género... ensinar tudo bem, porque, no caso das pessoas mais velhas, a mentalidade já é um pouco mais complicada de mudar, mas com persistência nós chegamos lá. Agora, tenho é um pouco de pena por as mulheres não se juntarem, também, a esta 'guerra' e fazermos as coisas mudarem da melhor maneira."

A sexualidade é outros dos temas abordados, nas redes sociais, pela artista, que já tem sentido algumas mudanças.

"Hoje em dia, já existem muitas mulheres, aqui em Portugal, a falar sobre sexo. Porque as mulheres também estão cada vez mais curiosas para saber como podem fazer, como podem usufruir da melhor maneira. Eu, até, acho que no lado dos homens é que existe, ainda, um bloqueio porque eles ainda vêem isso como uma cena ainda mais porca. Agora, as mulheres já se estão a habituar mais a este mundo novo e a perceber que a sexualidade faz parte de nós e que temos que a cuidar da melhor maneira e não a pôr de parte, porque ela está presente e nós temos que tirar partido dela da melhor maneira possível, para termos prazer e para darmos, também, prazer", frisou.

Ainda a propósito das mensagens que tenta passar nas redes sociais, Blaya falou sobre os ataques de ódio que sempre recebeu: "Quando eu fumava - fumava ganzas, toda a gente sabe - tinha que evitar publicar, porque ia trazer problemas. Às vezes, tenho que pensar se a foto está cuidada, se, lá atrás, se vê a roupa suja... Há pormenores que vão ativar qualquer coisa na mente da outra pessoa que está a ver e que a vão levar a fazer um comentário de ódio. Neste momento, tenho que ter cuidado com as coisas que estão à minha volta, para, depois, evitar esse tipo de comentários."

"Na altura em que pari a Lau, as pessoas eram mesmo muito maldosas, porque diziam coisas, como: 'Vai arrumar a casa'; 'Estás a amamentar com os cães aí ao lado?'… Comentários que as pessoas tinham por ter. As pessoas podem muito bem comentar coisas que elas não gostam, mas de uma forma educada e que não seja negativa", sublinhou.

Onde e como é que a Blaya se imagina daqui a cinco anos? A resposta foi simples: "Vou começar, agora, um curso de três anos de Língua Gestual, por isso, daqui a cinco anos, espero estar a dar concertos, estar a compor, estar a viver muito bem com os meus filhos e o meu parceiro... Mas eu gosto muito de mudanças, de trazer coisas novas e acho que, com a língua gestual, vou conseguir fazer coisas incríveis e estou muito ansiosa para que isso aconteça, para começar a desenvolver novos trabalhos e novas coisas."

"Tenho trabalhado muito, tenho feito o que quero, já viajei bastante, por isso, vou sendo a mulher que quero. Sempre sonhei ser artista, então, a música sempre esteve muito presente na minha vida", confessou a cantora, antes de contar como nasceu a Blaya: "O nome Blaya era um nome muito utilizado no Algarve. Eles chamavam Blaya às raparigas, em vez de chamarem dama, que, agora, já não se usa muito. E como eu ia muitas vezes ao Algarve, pensei: 'Se calhar, Blaya é muito melhor do que MC Dama' (risos)"

Recuando à infância, a cantora recordou como nasceu o gosto pela música e pela dança.

"Desde pequena que já fazia dança na escola e, aos 14 anos, comecei a compor. Primeiro, comecei com rap, depois, deixei um bocadinho de lado a música, porque o rap feminino não tinha muita saída. Depois, tirei dois cursos de hip-hop para dar aulas, vinha a Lisboa todos os fins de semana, porque ainda morava no Alentejo."

Ainda muito nova, saiu de casa dos pais para perseguir o sonho de ser artista: "Saí de casa dos meus pais aos 16 anos, para ir morar com o meu primeiro namorado, que era rapper. Fui sempre tão certinha até aos 16 - até aos 16 e até agora - que eles viram-me tão focada no que eu queria seguir que disseram: 'Ok, tudo bem podes ir'. Lembro-me que havia uma altura em que os meus amigos podiam ir para casa depois da meia-noite, mas eu tinha que ir para casa à meia-noite! Sempre fui uma adolescente calma, com a minha curiosidade e a minha irreverência, mas não de cometer loucuras, de beber ou de fumar. Não gostava muito de estudar, é verdade, não gostava, mas isso não quer dizer que não fosse uma boa adolescente."

"Dei o meu primeiro beijo com 14 anos, no Externato... Foi numa sala e ele tinha uma pastilha de menta, foi um beijo horrível, que me babou toda, e, depois, tive que ir para a casa de banho limpar-me, porque aquilo foi mesmo uma inundação de cenas", recordou.

"Sempre fui 'popular', mas porque era engraçada, era muito cómica e dizia sempre as coisas nos momentos errados, era sem vergonha... E, depois, porque comecei a fazer os meus grupos de dança no liceu", contou.

Com apenas 19 anos, Blaya veio para Lisboa tentar a sorte e acabou por integrar um das bandas portuguesas de maior sucesso, os Buraka Som Sistema: "Vim dançar para um grupo que são os Ritmos Urbanos. Também cheguei a ser bailarina do TT e, depois, entrei nos Buraka Som Sistema, como bailarina. Depois, num dos concertos que tivemos no Rock in Rio, perguntei se podia cantar uma música e, depois, fui cantando, cantando, e fiquei a vocalista/bailarina. Para mim, acho que toda a gente devia ter ido a um concerto dos Buraka, porque ia sentir o que era uma performance cheia. Se não foram, então, perderam muito."

Sobre a possibilidade de a banda voltar a reunir-se, a cantora deixou a porta aberta: "Acho que sim... Ainda não passou muito tempo, nós acabamos em 2016, por isso, talvez, nos dez anos. Estou a mandar para o ar, não faço a mínima ideia, mas acho que pode vir a acontecer, sim, porque, realmente, era uma equipa que fazia acontecer de uma maneira incrível e acho que todos nós temos saudades disso."

Nesta fase, também os pais foram o grande apoio de Blaya: "Os meus pais iam a muitos concertos. Até foram ao Sudoeste! Eles, por acaso, gostam muito."

Alguns anos mais tarde, surgiu a carreira a solo. "Foi o momento certo, estava com as pessoas certas, foi no momento em que o funk estava a rebentar em Portugal e o 'Faz Gostoso' foi o primeiro single que nós escolhemos." Single esse que viria a ter versões de Madonna e Anitta: "Acho que o fator sorte está sempre incluído nas nossas vidas. Tive sorte que a Madonna estava a morar aqui, que os filhos ouviam muito a minha música nas rádios e que ela quis fazer uma versão, e que a Anitta também incluiu o tema no repertório do concerto dela no Rock in Rio. Trabalhámos para que isto fosse um hit mundial, super universal, que toda a gente pudesse cantar e dançar."

Mais recentemente, surgiu a primeira balada, dando a conhecer um outro lado da artista.

"Eu sou muito versátil. Comecei com rap, depois, fui para os Buraka, que é assim meio eletrónico, afro, músicas do mundo… depois, viajei por todo o mundo e, então, as minhas influências são mesmo uma imensidão de coisas. Sou brasileira, ou seja, já tenho o brasil em mim, tenho o afro em mim, tenho Portugal em mim e, agora, durante este tempo todo em que estivemos em casa, tive oportunidade para explorar, para aprofundar mais este estilo que gosto de compor, de ouvir, de cantar... e fui arriscar. Acho que faz todo o sentido um artista arriscar. Tendo eu muitas influências diferentes, gosto de lançar várias coisas diferentes. Podia ter lançado o 'Faz gostoso' e a música a seguir ser uma onda mais ou menos igual, mas não. Foi uma onda, completamente, diferente. E eu gosto disso! Gosto de jogar as coisas que tenho aqui dentro e gosto de dar ao público as coisas diferentes que tenho aqui dentro."

Olhando para trás, será que a cantora mudava alguma coisa? "Não, não mudava nada. Na minha vida, eu só vou, vou, vou... Não me arrependo de nada. Se aconteceu, por alguma razão, tinha que acontecer, e acho que estou no caminho certo. Umas vezes, custa mais do que outras, mas, olha, a vida não é assim tão fácil como, às vezes, aparenta ser."

Questionada sobre aquilo de que menos gosta no mundo da música, Blaya não hesitou: "São os grupinhos que existem. Como eu não sou de nenhum, é muito complicado chegar a tal pessoa, a tal músico, para fazer um featuring. Acho que isso é o que menos gosto no mundo na música. E o facto de não darem o devido valor aos músicos, aos artistas em Portugal. Acho que, quando somos mais novos, pensamos: 'Vamos arriscar', mas, agora, quando somos mais velhos, começa a cair nas nossas costas uma responsabilidade, completamente, diferente. Queremos coisas mais sólidas, coisas que durem mais tempo e que não nos deixem na mão, por isso, talvez essa insegurança tenha vindo mais agora que sou um pouco mais velha. 'Tenho de fazer um hit, para as pessoas comprarem, para ter mais concertos...' Mas sou muito mais feliz no palco, com o calor do público, com as pessoas a cantarem as minhas músicas. Saber que entro em palco e tenho o público comigo, saber que posso mudar a vida de alguém que está triste porque acabou com o namorado, porque teve um dia super mau… é isso que me incentiva, cada vez mais, a subir ao palco e que me deixa muitas saudades."