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Teresa Tavares fala sobre telefilme de Natal da TVI: "Vai pôr toda a gente com um sorriso"

Para Teresa Tavares, o ano de 2021 termina com "chave de ouro", com a estreia, no dia de Natal, do telefilme "A Consoada", que conta com a participação da atriz. Numa entrevista exclusiva para a SELFIE, Teresa Tavares fala sobre esta nova aposta da TVI, para além de fazer uma reflexão sobre a maternidade e a vida para além do pequeno ecrã.

Que balanço é que faz das gravações do telefilme?
Acho que correu tudo muito bem. Gostei muito de participar neste telefilme, que tem aquele espírito de comédia romântica de Natal, que é um género que, por cá, nem sequer se produz muito. Correu tudo muito bem. Faço um balanço positivo.

O que nos pode revelar sobre a sua personagem?
A minha personagem é a Maria, uma mulher que vive em Londres. É uma workaholic, está sempre a trabalhar e tem muito sucesso. Tem três filhos e vem a Portugal, para passar o Natal. O marido já está em Portugal e ela tinha planeado viajar com os filhos e a babysitter, que, entretanto, não pôde vir. Portanto, a Maria vem para Portugal, com as coisas todas do Natal e com os filhos e, logo no início do telefilme, é "apanhada" por um nevão e fica presa no aeroporto, em plena noite de Natal. Sozinha, com as três crianças. Depois, acontece uma série de situações e a Maria acaba por fazer uma reavaliação da própria vida.

Este é um telefilme, um formato que continua a ser raro na ficção portuguesa... Acha que o rumo da ficção nacional deve ser este: apostar numa maior variedade de formatos, para além da novela?
Sim, claro! Apesar de tudo, já há cada vez mais telefilmes e há cada vez mais séries. Não é assim tão raro. Mas claro que sim. Esse é o caminho que tem de ser seguido: haver mais variedade. A partir do momento em que há mais variedade de formatos, há mais histórias e, quantas mais histórias fizermos, e de forma mais criativa, mais apelamos a diferentes públicos. Acho que isso é o desejável.

Quais são as diferenças que encontra entre fazer novela e participar em outros projetos, como um telefilme?
São completamente diferentes. Todos os projetos são diferentes uns dos outros. Neste caso, há uma diferença primordial: um telefilme conta a história durante uma hora, enquanto uma telenovela dura uns 300 episódios. Nem sequer é comparável. Além disso, a história deste telefilme decorre durante uma noite e quase sempre no mesmo espaço. Já numa novela, há muitas personagens, há muitas histórias a cruzarem-se, há muitos cenários... A abordagem é muito diferente. De qualquer maneira, todos os projetos são diferentes uns dos outros e isso é que é bom. 

Como foi a preparação para este trabalho?
Tivemos ensaios e fiz uma pesquisa pessoal, à procura de referências... Este telefilme é um clássico filme de Natal e, então, fui buscar ao meu imaginário esse tipo de filmes. Já vi muitos desse género. Além disso, obviamente, falei com o realizador e com a equipa toda para estarmos todos em sintonia.

E em relação ao elenco, como foi contracenar com os atores de "A Consoada"?
Já tinha trabalhado com alguns atores. Foi ótimo reencontrá-los. Tive um reencontro com o Fernando Pires, com quem já trabalhei muitas vezes e com quem me dou muito bem. Além disso, houve alguns atores com quem nunca tinha trabalhado. Por exemplo, nunca tinha trabalhado com o Rui Mendes, que é um ator maravilhoso e que eu adoro. Foi incrível. Gosto muito, muito do Rui. 

Desde "Valor da Vida" (2018-2019) que não tem participado em novelas, somando participações em séries, filmes, telefilmes, peças de teatro... Foi uma opção própria?
Por acaso, foi uma coisa que foi acontecendo. Tenho tido muitos convites para fazer séries e telefilmes. As coisas foram-se desenrolando assim. Não foi, de todo, algo que tenha planeado. Simplesmente, têm surgido mais convites para participar em telefilmes e, sobretudo, em séries, nas quais tenho interpretado personagens desafiantes. Tem sido muito importante para mim. 

No telefilme, as personagens enfrentam um acontecimento inesperado, em plena noite de Natal. Recorda-se de algum episódio mais caricato e insólito que tenha vivido na Consoada?
Não sou de Lisboa e, uma vez, estava a regressar do Ribatejo, onde tinha passado uns dias. Tinha o carro cheio de coisas, estava sozinha e, não sei o que aconteceu, mas o carro parou. Avariou-se. Vinha à noite e o carro avariou-se. Recordo-me de que estava imenso frio e tive de ficar à espera do reboque e com o carro cheio de coisas... Enfim, foi uma confusão!

Que significado tem o Natal, para si?
Gosto bastante do Natal. A minha família não vive em Lisboa, então, é uma boa forma de reunir a família, de reencontrar as pessoas de quem gosto e com quem, ao longo do ano, não tenho tanta disponibilidade para estar. Para mim, o Natal é um reencontro familiar que eu prezo.

E este Natal também vai ser passado em família?
Exatamente.

Costuma seguir as tradições natalícias?
Sim, costumo, mas com variações. Na mesa, temos bacalhau e peru, embora goste mais de cabrito. Mas há sempre variações, embora siga as tradições do jantar, com a família.

E certamente que o Natal ganhou um significado especial desde que foi mãe... É sempre diferente...
Sim, claro! É um momento muito bonito. Já era uma data que valorizava bastante e, agora, tem um novo significado, porque estou a mostrá-lo a alguém.

De acordo com a sinopse de "A Consoada", este telefilme "propõe uma reflexão sobre as decisões que tomamos influenciados pela opinião alheia ou pressão da sociedade". Fazendo uma espécie de retrospetiva, sente que alguma vez - na vida profissional ou pessoal - tenha tomado uma decisão não pelo que sentia, mas pelo que os outros pensavam?
Todos nós somos influenciados por aquilo que acontece à nossa volta. Isso é evidente e seria uma hipocrisia afirmar o contrário. Agora, de facto, eu escuto-me muito e vou muito pela minha intuição. É algo que sempre fiz e cada vez mais valorizo a minha intuição. Sem desvalorizar a influência que os outros têm em nós - até porque ouvir os outros é bastante relevante -, mas, quando são decisões importantes, concentro-me muito na minha intuição. 

Podemos dizer que ser mãe é o papel da sua vida?
Na verdade, nós todos temos variadíssimos papéis na nossa vida e essa ideia de comparar uns papéis com outros é algo que não acho que seja interessante. Evidentemente que é maravilhoso ser mãe tal como é maravilhoso ser atriz, ser mulher, ser filha... Quando se afirma que ser mãe é o papel da minha vida, parece que é algo superior aos outros papéis, quando, na verdade, é algo que se concilia com outras coisas. É extraordinário podermos fazer muitas coisas.

Sente que é uma atriz diferente, depois de ter sido mãe?
Acho que, todos os dias, sou uma atriz um bocadinho diferente, porque, todos os dias, também sou uma pessoa um bocadinho diferente. Evidentemente que uma experiência tão intensa, como ser mãe, é algo que é altamente transformador, mas, na realidade, todos os dias, somos sempre um bocadinho diferentes, porque já tivemos mais experiências, tivemos mais um dia de vida, o que vai sempre modificar as coisas. E, no entanto - e isto pode parecer um paradoxo, mas não é -, mantenho-me a mesma pessoa.

A Júlia vai completar já dois anos, em janeiro... Como tem sido a experiência da maternidade?
Tem sido extraordinária, porque a Júlia é extraordinária!

Encontra muitas semelhanças - e não só físicas - entre si e a sua filha? Já vê na Júlia alguma vontade em ser atriz?
(Risos) Não faço ideia! Ainda é muito, muito cedo... Por mim, a Júlia pode ser o que ela quiser ser! Não há qualquer urgência ou pressão. 

Vai ver o telefilme com a Júlia?
Sim, estou muito curiosa em ver o telefilme e quero muito mostrá-lo à minha filha, no Natal.

Nas redes sociais, pontualmente, costuma destacar algumas causas sociais importantes (luta pelos direitos das mulheres, luta contra a violência doméstica...). O papel de uma atriz mediática também é esse? Ampliar essas causas relevantes?
Acho que isso é uma escolha e cada pessoa comunica como sente que deve comunicar. É algo que é muito pessoal. No meu caso, sendo mediática, e como as outras pessoas me podem ouvir mais, para mim, é importante divulgar causas em que acredito, associações que apoio... E tanto posso destacar os direitos das mulheres, como, também, assinalar dias importantes. Ainda recentemente destaquei o Dia do Livro e incitei à leitura... O que faço é, aproveitando este grau de atenção adicional que, provavelmente, as minhas redes sociais têm, passar algumas mensagens que acho que são importantes.

Além do percurso na televisão e no cinema, é uma das fundadoras do Teatro do Vão. No que é que essa Associação faz a diferença no atual panorama cultural do país?
Qualquer estrutura criativa faz a diferença, no universo à sua volta. É importante tudo o que cada um de nós contribui para que haja mais opções para as pessoas verem, além de essas opções porem mais artistas a pensarem e a trabalharem. No caso do Teatro do Vão, trata-se de uma associação cultural que fundei, há alguns anos, com o Daniel Gorjão e a Sara Garrinhas. E continuamos a trabalhar. Por exemplo, a 15 de dezembro, vamos estrear, no Teatro São Luiz, um espetáculo a partir das cartas de amor entre as escritoras Virginia Woolf e Vita Sackville-West. Eu interpreto uma dessas escritoras, a Vita Sackville-West. O trabalho no Teatro do Vão, para mim, é muito importante, enquanto atriz, criadora... É muitíssimo importante manter a estrutura e fazê-la crescer, fazer os projetos avançarem, dar espaço a novos criadores... Acho que esse é um contributo importante tanto deste Teatro, como das outras associações.

Estamos a chegar ao final de mais um ano... Que balanço é que faz de 2021? 
Foi um ano muito intenso e, criativamente, muito rico. Foi um ano bom, nesse sentido. Foi, também, um ano de alguma estranheza, para todos nós, por causa da pandemia e do confinamento, nos primeiros meses do ano. Entretanto, fomos todos ganhando um novo fôlego... Sim, acho que é isso: foi um ano em que todos ganhámos um novo fôlego. Nesse sentido, foi um ano muito, muito importante.

Está prestes a completar 39 anos [no dia 29 de dezembro]. Com uma idade redonda a aproximar-se - os 40 anos -, e também numa espécie de balanço, que conselhos daria àquela jovem atriz que se estreou nos primeiros "Jardins Proibidos", em 2000?
Diria para ir sem medo. Vai ser sempre tudo para melhorar.

E quais são as expetativas para 2022?
Não vivo muito de expetativas. O que faço é dar o meu melhor, em cada momento. Não tenho nenhum plano para o ano que vem. Vou recebê-lo de braços abertos e julgo que, assim, as coisas só podem ser melhores e cada vez mais plenas.

Finalmente, por que motivo os nossos leitores não podem perder "A Consoada"?
É um telefilme de Natal, falado em português, e acredito que vai pôr toda a gente com um sorriso na cara. Eventualmente, as pessoas vão reconhecer-se naquelas personagens e olhá-las com carinho.

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