Para Sempre

Patrícia Tavares: "Este é um momento feliz para mim"

Na novela "Para Sempre", Patrícia Tavares dá vida à minhota Maria das Dores e contou à SELFIE como se preparou para este papel.

Como está a ser dar vida à Maria das Dores?
Zero sofrido. A Maria das Dores é só o nome. [risos] Não é nada sofrida, é uma mulher de família, com dois filhos, casada, apaixonada pelo marido e o marido por ela. Muito dedicada aos outros, trabalha em casa do Bento [Luís Esparteiro], é muito dedicada a ele e à filha dele [Inês Castel-Branco] que perdeu a mãe cedo. Portanto, há uma relação quase maternal com a Clara. A Maria Dores não é uma mulher com muito tempo para ela. Dois filhos dá imenso trabalho, o marido também, assim como a casa do Bento. É uma mulher simples, sem maquilhagem, sem pintar o cabelo, sem as unhas arranjadas, com umas alpercatas ótimas.... [risos]

O guarda-roupa da Maria das Dores é diferente do que está habituada?
No inverno foi ótimo. Por baixo, ainda, tinha as roupas interiores... [risos] Depois, tornou-se um bocadinho mais complicado, com o calor, mas tudo se faz. 

E como foi vestir o traje tradicional minhoto?
Foi ótimo! Não foi a primeira vez que me vesti de minhota, pois já me o tinha feito nas Festas da Nossa Senhora da Agonia e é muito bonito. Tudo aquilo obedece a rituais em que eles acreditam, a forma de colocar o ouro, as várias saias… e é bonito, sim!

Tudo isso aliado a gravar no Minho...
Incrível! Come-se muito bem, são sítios muito bonitos. [risos] Braga é um sítio lindíssimo, Arcos de Valdevez é encantador e o Soajo, que não conhecia, é muito bonito. Fiquei fascinada! Aquela natureza em contacto com a população, e, de repente, estás na praça e vem uma manada de vacas e passam por ti ou aparecem os cavalos selvagens. Curiosamente, os cães não são muito de vir ter com as pessoas. Há imensos cães na rua, mas são um bocadinho mais cães, não são tão cães de beijinhos e abraços [risos]. Vivem todos muito bem uns com os outros, flui tudo muito bem. 

Voltando à Maria das Dores: como foi o trabalho de preparação desta mulher comum?
Quer dizer, por acaso não é assim tão comum. [risos] Tem uma fisicalidade um bocadinho diferente e isso tira-lhe este lado tão normal. Trabalhei essa fisicalidade com a direção de atores, com os realizadores e com trabalho. Este é o meu trabalho! Inspirei-me… - sou muito observadora e tenho muitos dossiers cá dentro. [risos]. E tenho muita coisa cá dentro que vou usando e vou procurando. Nós temos sempre muito pouco tempo para preparar as coisas, mas eu gosto e isso não me incomoda. Gosto dessa pressão que te obriga a não ter medo, porque se tiveres medo, não vais a lado nenhum. O resultado é este… se as pessoas gostarem, vai ser encantador! Porque eu trabalho para as pessoas, não trabalho para mim. Se não gostarem, eu aprendo qualquer coisa e, para a próxima, tento fazer melhor [risos]. 

E como é a relação da Maria das Dores com os filhos?
Ela é muito protetora. As mães têm sempre muito orgulho nos filhos e ela tem muito orgulho tanto no mais velho, como na mais pequenina, que, curiosamente, se chama Patrícia. No primeiro ensaio, a Maria Marques, que é encantadora, disse-me: "Sabes, eu sou Maria na vida real e Patrícia na novela e tu és Patrícia na vida real e Maria na novela." [risos]

Já tinha saudades de fazer novela?
Sim, já tinha saudades. Eu gosto de trabalhar, sou feliz a trabalhar. Sinto-me bem a trabalhar, portanto, este é um momento feliz para mim. 

E como tem sido estar afastada dos palcos, fruto dos tempos da pandemia que vivemos?
Vou voltar em breve! Vem aí uma peça muito gira, com um elenco incrível, que começa a ensaiar no fim do ano para o Teatro da Trindade. E, portanto, não está assim tão longe essa possibilidade e alimenta o ano que é pensar que está quase. Já foi adiada algumas vezes, mas vai acontecer. 

Além desse projeto, tem mais alguma coisa na calha?
Não, para já, tenho a novela, o teatro e, depois, logo se vê!

Como tem sido gravar a novela sem esta estar no ar e não ter o feedback das pessoas?
Quando me estreei nas novelas, este era o percurso. Gravava-se a novela quase toda e, depois, estreava. Mais tarde, conquistou-se o contrário, que era gravar e ir vendo. Claro que nos faz falta, gostaríamos de ter esse feedback e faz falta porque, quando a arte nobre está aberta, podes melhorar e perceber o que está a funcionar melhor ou pior. Aqui vai assim e já não dá para corrigir. Mas é assim, às vezes corre bem e às vezes corre mal. 

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