Entrevistas

Pedro Sousa: "Sou tão crítico que não tenho coragem de ver as minhas cenas"

Terminadas as gravações de "Para Sempre", Pedro Sousa passou a ser ator exclusivo da TVI e, em conversa com a SELFIE, desvendou os próximos desafios na estação.

Como foi receber este convite?
Foi muito bom! Foi a prova de que confiam em mim, de que a TVI confia em mim e é bom saber que o trabalho é reconhecido. Agora, espero retribuir ou justificar este voto de confiança que me foi depositado.

Além de fazer aquilo que se gosta, também é importante haver alguma estabilidade, este "compromisso" como Cristina Ferreira referiu?
Sim! Como atores temos essa parte complicada de não recebermos quando não estamos a trabalhar. Isso torna-se complicado, porque se podem passar meses ou anos sem trabalhar. Neste caso, temos outra segurança. Ou seja, quando não estamos a trabalhar, estamos mesmo de férias, ao contrário dos outros casos em que estamos desempregados.

Quem foi a primeira pessoa a quem contou acerca deste contrato de exclusividade?
Foi à minha mãe e ao meu pai e, depois, aos meus amigos.

Como é que eles reagiram?
Ficara contentes, claro! É bom, principalmente para os pais, saberem que os filhos têm estabilidade. Eles viam-me sempre a fazer um trabalho e, depois, ficava não sei quanto tempo sem saber o que ia fazer a seguir, se bem que, nos últimos anos, trabalhei muito. Mas, antes disso, houve uma altura em que fiquei muito tempo sem trabalhar e isso preocupava-os. Agora, ficam muito mais relaxados.

Qual o sentimento que fica?
É o reconhecimento do meu trabalho. É bom saber que a TVI quer que eu pertença à casa. É um calor bom que se sente. Podia contratar-me só - não é só - para fazer uma telenovela, mas querem mais do que isso, querem que faça parte do canal e isso é lisonjeante.

E a TVI já é quase uma segunda família?
Sim. Agora fizemos a viagem a Nova Iorque [para a entrega dos prémios Emmy, aos quais a TVI estava nomeada pela novela 'Quer o Destino', na qual o ator era um dos protagonistas], o que nos aproximou e passei a conhecer melhor algumas pessoas que viajaram comigo. Sinto-me, cada vez mais, em casa e na família TVI.

É muito crítico em relação ao seu trabalho?
Sou tão crítico que não posso ver cenas se for gravar no dia a seguir. Fico tão nervoso e a acreditar que não vou fazer um bom trabalho, que não posso mesmo ver. Quando vejo em casa, tento ver sem ninguém por perto, para poder chorar sozinho. Mas é mesmo assim: só consigo ver defeitos e erros. Não me consigo ver, mas isso já acontecia no surf, quando o meu treinador filmava os treinos.

É o seu maior crítico?
Acho que sim e espero que sim. Se houver mais pessoas a verem o meu trabalho como eu vejo... Quer dizer isso não acontece, senão não estaria a trabalhar, certamente. Devo ser o único assim tão crítico do meu trabalho...

Como é agora com o "Para Sempre" que já está totalmente gravado?
Já pensei em ver alguns episódios, mas não tenho coragem. Eu quero ver, mas não tenho coragem. Por isso, ainda não vi nada.

Quem está sempre lá a apoiá-lo?
A minha família, garantidamente. Família e amigos. Tenho imensa sorte de ter um núcleo muito forte e sei que estou sempre protegido.

Ainda a recuperar da cirurgia [o ator foi operado a uma perna], já tem algum projeto na calha?
Neste momento, estou concentrado na recuperação. Este é mesmo o projeto dos dois, meu e da TVI, que me ajudou imenso neste processo da operação e da recuperação. Por isso, agora, é recuperar totalmente para regressar em força.

Há alguma personagem que gostasse de experimentar?
Já tive a sorte de poder fazer coisas completamente diferentes, pelo que não sei... Eu gosto de uma boa história. Se houver uma boa história, independentemente da personagem, eu quero fazer parte.

Há alguém com quem gostasse de contracenar?
Mais uma vez, tenho tido a sorte de trabalhar com pessoas incríveis. Desde o primeiro projeto que fiz até este último, estive sempre muito bem rodeado. Agora, em "Para Sempre", contracenei com a Marina Mota, que eu admiro profundamente e não podia ter tido uma melhor parceira do que a Marina, que fez de minha mãe. Se houver mais Marinas, adorava trabalhar com essas pessoas.

Qual o projeto que mais o marcou?
O "Quer o Destino" foi o primeiro projeto a sério - embora tenha feito os "Morangos Com Açúcar" há alguns anos -, a personagem era deliciosa, a história era muito boa e a equipa era incrível. Cheguei aqui com medo de não conhecer as pessoas e de não me adaptar bem e fui tão bem recebido que, agora, faço parte da família TVI. Esse projeto ficará na minha memória para sempre.

Que outros projetos gostava de desenvolver fora da representação: vamos poder vê-lo como apresentador?
Não, não tenho esse dom. Sou muito tímido. Gostava era de trabalhar fora do país. Adoro Portugal, é o meu país, mas gostava de conhecer outras culturas dentro do meio profissional, algo que considero aliciante. Gostava, também, de experimentar fazer teatro.

A nível pessoal, o que deseja para os próximos tempos?
Desejo recuperar desta lesão e poder entrar na água do mar. O meu foco é ficar bom e poder surfar.

E o que nos pode revelar sobre o Lourenço de "Para Sempre"?
Não posso contar muito para não estragar a surpresa... [risos] O Lourenço faz asneiras pelo motivo certo e espero que tenham esse carinho por ele, que não o condenem. É um sofredor e espero que não seja visto só como o mau.

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