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A história comovente da sobrevivente do acidente que matou Angélico Vieira: "Os amigos evaporaram"

Armanda Leite e Angélico Vieira

Nove anos após a tragédia que vitimou Angélico Vieira, Armanda Leite, sobrevivente do acidente, concedeu uma entrevista a Júlia Pinheiro que emocionou os telespetadores.

Planeava ser advogada e manequim, até que um acidente de viação lhe roubou os sonhos. Armanda Leite ficou presa a uma cadeira de rodas e continua a lutar pela recuperação plena. A jovem conta, desde o dia em que quase perdeu a vida, com a ajuda do pai, José Leite, que luta, diariamente, pela felicidade e pelo bem estar de Armanda.

"Esqueci-me de tudo o que se passou no acidente. Daquele dia, apagou tudo", contou Armanda, que diz ter conhecido o ator, apenas, um pouco antes de entrar no carro. As memórias no hospital, também, são "poucas, ou quase nenhumas": "Puseram-me qualquer coisa para ficar em coma profundo."

Num breve balanço sobre o que mudou depois do acidente, Armanda Leite garantiu que a maior perda foram os amigos: "[A minha vida] mudou muito. Por exemplo, fazer fotografias, ir à escola, estar com os meus amigos. [...] Mas amigo de verdade procura as pessoas. [...] Tento esquecer esses amigos. [...] Um simples telefonema não fazia mal nenhum."

"Sinceramente, já tive mais sonhos", acrescentou, dizendo: "Uma pessoa olha para o espelho e compara: o que eu era e o que eu sou". A única coisa que acredita manter é "o sorriso bonito".

Também o pai da jovem teve muito a dizer sobre este longo e duro processo de adaptação a uma nova realidade. José construiu uma casa para a filha, um espaço adaptado à jovem, com dinheiro do seu trabalho, porque "não queria ver a filha numa instituição".

O pai de Armanda também se pronunciou, com angústia, sobre as amizades da filha que, após o acidente , diz terem desaparecido: "Os amigos evaporaram."

Resignado e preocupado, apenas, em fazer o melhor que pode pela filha, José Leite aceita o presente e o futuro, porque acredita que "foi o destino, e Deus quis assim". "Se ela estivesse revoltada, era mais difícil", explicou.

No fim da entrevista, o pai da jovem sobrevivente pôs um ponto final nos rumores que tanto já fizeram correr tinta na imprensa, sobre a alegada má relação entre a família de Armanda e a família de Angélico Vieira. José Leite fala, ainda, do jovem que, assim como o ator, perdeu a vida no trágico acidente: "Eles não mereciam, nem um, nem outro. Primeiro, porque são jovens, no início de vida, segundo, porque são miúdos bem comportados, tanto um, como outro, tanto o Élio como o Angélico."

"O dinheiro, aqui, é para a sobrevivência da Armanda. Só quero que defendam os direitos da Armanda, foi o que disse aos advogados. Nunca estive à espera do dinheiro da família do Angélico. A única coisa que podia pedir à família do Angélico era: 'Ajudem-me a ajudar à Armanda'", acrescentou, visivelmente emocionado, ao falar dos processos em tribunal.

José Leite deixou, ainda, uma mensagem à família do cantor: "Gostava de dizer à família do Angélico que nós estamos aqui e que continuamos a ser amigos deles e queremos tudo de bom para eles, que corra tudo bem e que, no que precisarem de nós, estamos aqui."