O testemunho impressionante de António Raminhos sobre transtorno: "Naquele momento, morri"

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António Raminhos voltou a pôr de parte o humor, para falar sobre aquele que diz ter sido "um dos dias mais tristes" que teve, por causa da ansiedade e do transtorno obsessivo compulsivo de que padece.

Não é primeira vez que o humorista fala sobre a saúde mental, partilhando algumas das batalhas que trava, há já alguns anos. Desta vez, António Raminhos relatou um dia, particularmente, difícil: "Sexta foi, provavelmente, um dos dias mais tristes da minha vida, em relação à ansiedade e ao transtorno obsessivo compulsivo. Fiquei frente a frente com um dos meus maiores medos, dos meus maiores 'e ses'. [...] A minha mulher, que me viu, diz que não parecia eu. Estava assustado, desorientado. Naquele momento, morri. Estava condenado à morte e sem futuro. Sem saber o que fazer."

"E ainda estou, muito. Já levo muitos anos nisto e muito trabalho, mas, às vezes, é como remar com calma e perseverança, e, de repente, vem um tsunami. E isso magoa. Sinto-me triste, revoltado, abandonado, incompreendido e vazio. Os amigos podem dizer que não há problema, que a questão até pode ser real, mas está a ser exagerada, e o que penso é 'o que sabes tu do que vai na minha cabeça?' Depois, surgem as cobranças: 'Eu, que gosto de ajudar os outros (porque gosto, não estou à espera de recompensa), que luto para conseguir os meus projetos, que tive uma infância que não ajudou muito, e que, por isso, procuro dedicar tempo à família, que medita, que quer conhecer-se melhor e, depois, leva com estas balas?! Onde está a recompensa? Onde está o trabalho feito? Onde está o colo do Universo?", continuou.

"E baixei os braços e fiquei triste e revoltado comigo, com Deus, com a minha história que me trouxe aqui. Ainda estou. E não me importo. Que, mesmo em baixo, a minha primeira preocupação foi não sofrer em silêncio. Foi pedir ajuda ao meu terapeuta e ao meu psiquiatra, porque, claramente, preciso de um apoio. Um apoio para eu poder trabalhar-me melhor! Não para me fazer esquecer ou manter-me funcional apenas. Apoio para me descobrir com mais calma. E porque sei que a maravilha da vida é esta: cada dia é uma hipótese de respirar fundo… E, por isso, por muito que me apetecesse estar fechado e isolado ou internado para que tomassem conta de mim… resolvi ir passear no fim-de-semana. Prestem atenção. Escrevo este post, não para me darem palmadinhas nas costas, ou dizer 'força', ou 'com essa família podias ter tudo bem, não penses nisso!', até porque as coisas não funcionam assim. Nem são assim.", acrescentou.

António Raminhos deixou, em seguida, um conselho a todos os que sofrem com esta perturbação: "Escrevi este post para que não se fechem nos vossos medos. Para que compreendam que há dores que só nós conhecemos, mas que podem ser partilhadas, por muitos, nas suas mais variadas formas e feitios. Estou a escrever este post, para que procurem ajuda, sem medos nem vergonhas. Isto é simples, se têm um pneu furado, quanto mais tempo andarem assim, piores são os estragos. Há que pedir que vos ajudem a mudar o pneu, até que vocês o saibam fazer sozinhos, mesmo que demore mais tempo. Quando vocês procuram essa ajuda, entendem uma coisa: todos somos estranhos, até perceber que isso é normal."

Nos comentários à publicação, não faltaram pessoas que se identificaram com as palavras do humorista e que agradeceram a partilha.