José Alberto Carvalho de luto: "Foi 'a mãe' de muitos, e a minha"

Morreu antiga diretora-adjunta de informação da TVI

Maria José Nunes morreu, aos 64 anos, na passada quinta-feira, dia 17. Entre os vários colegas e amigos que homenagearam a antiga diretora-adjunta de informação da TV, destaca-se o texto emotivo de José Alberto Carvalho.

O pivô recorreu à página de Facebook para prestar um último tributo à figura que, pelas palavras do próprio, mais marcou o trabalho em televisão, em informação, e, claro, a vida do jornalista: "Deixou-nos a melhor, a mais talentosa, a mais imaginativa e trabalhadora, a mais leal de todas as pessoas com que trabalhei. Fui diretor da Maria José Nunes na RTP e na TVI. Mas, na verdade, foi ela quem me dirigiu."

"A maioria das imagens televisivas mais marcantes dos últimos 25 anos só foram possíveis com a alegria, a criatividade e o profissionalismo da Maria José. É a melhor produtora que jamais conheci. Foi convidada para chefe de produção da EBU (Eurovisão = a união dos operadores de serviço público europeus); foi sondada para chefe de produção da CNN. Ficou connosco. Dirigiu e ergueu cenários, jornais, canais; jogos épicos de futebol; memoráveis emissões especiais; adorava (adorávamos!) noites eleitorais que debatíamos longamente durante meses. [...] Tudo de que me lembro seria diferente se ela não tivesse existido. [...] Sempre íntegra. Sempre ela. Sempre por inteiro", continuou.

"Com a sua serenidade, humanidade, rasgo e sentido de oportunidade, construiu as memórias visuais de todos os portugueses no último quarto de século. A Maria não gostava que as objetivas se dirigissem a ela; a Maria só ficava verdadeiramente feliz quando a equipa dela tinha sucesso. Foi assim na SIC, na RTP, na TVI. Trabalhei (e falei!) com ela TODOS os dias ao longo de 23 anos de televisão. A Maria José tornava possíveis as ideias “loucas” que surgiam à equipa editorial. E era ela quem lhes dava forma e vida. NUNCA a Maria disse “Impossível”; ela sempre trouxe soluções, mesmo quando não sabia que elas existiam; nunca censurou uma ideia pelo facto de ser “louca”; nunca disse “nunca”. A Maria José é das pessoas mais leais e íntegras que conheci na vida. Defendia os “seus” até ao limite; sacrificou-se por eles!; nunca abandonou um projeto; nunca disse “não vamos conseguir”. Era uma troubleshooter: resolvia problemas. E, depois, apresentava sempre um ar cândido e tranquilo, como se nunca tivesse existido um problema para resolver. Foi “a mãe” de muitos; e minha, mesmo tendo sido seu diretor. A Maria colocava sempre TUDO nas prateleiras adequadas. Mesmo agora, no momento em que nos deixa, o seu exemplo diz-nos como arrumar as nossas prateleiras. Sábia, corajosa, intuitiva, cautelosa, carinhosa, arrojada, inventiva… Ela foi simplesmente A melhor e mais completa profissional de televisão com que trabalhei", acrescentou.

"Choro pela injustiça da partida prematura da Maria José. Na verdade, sempre pensei que voltaríamos a trabalhar juntos como fizemos durante 23 anos todos os dias. Agora que me apercebo que tal não irá acontecer, choro. Pela partida súbita e prematura; pela ausência; pela impossibilidade de lhe pedir conselhos e de desabafar com ela. A Maria José Nunes foi a mulher da vida de muita gente. Em primeiro lugar do marido, Fernando, com quem tinha uma cumplicidade irreversível e admirável; do filho, Miguel, que amava em cada segundo; da neta, que lhe alegrou o último ano de vida e que queria acarinhar e nutrir, mais do que a alguém. De todos os colegas com quem se cruzou. Como lamento que a neta não tenha tido a oportunidade de sentir e saborear a maravilhosa mulher que é a sua avó! E tão importante ela foi."

"[...] Foi a melhor produtora com que jamais trabalhei; foi a melhor amiga que alguém pode desejar; foi a mais leal camarada da minha vida. Nunca desertou, nem em atos nem em pensamentos. És única Maria. E sempre serás. Única. E inesquecível. Estou-te grato para o resto da minha vida. Sinto estar a entrar numa “fase” em que a vida me tira pessoas e coisas prematuramente. Mas peço-te: espera por mim, com a tua paciência infinita, porque quero abraçar-te para a eternidade. Adoro-te. E curvo-me. E agradeço-te tudo.
Sinto-me mais sozinho, agora. Mas não te preocupes. Vou tentar tomar conta de mim. Sei que estarás a preparar tudo para que tenha a melhor receção possível. Tu és assim, gostas de dar o teu melhor para os outros. No entretanto, vais fazer-me muita falta…. Adoro-te!

"PS: nunca quiseste protagonismo, mas permite-me a minha falta de vergonha para partilhar esta mensagem que trocámos há um ano por uma única razão: tu sabes quanto te estou grato e quanto te adoro", concluiu, partilhando a imagem abaixo.