Dalila Carmo recorda adolescência e desabafa: "Achamos que para sermos bons temos de ser giros"

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Foi nas redes sociais que Dalila Carmo partilhou uma fotografia de quando era adolescente, acompanhada de um desabafo que não deixou ninguém indiferente.

"Quando me tiraram esta foto eu devia ter 13 ou 14 anos. Aquela idade das Lolitas em que achamos que para sermos bons nalguma coisa temos de ser giros e ter piada. Estamos a descobrir o mundo e a adorar que o mundo nos descubra também. Comecei por esta altura a dizer que gostava de ser atriz. Não fazia puto ideia o que isso queria dizer, mas, na altura, talvez um curso de teatro significasse liberdade, eventuais alibis para desenquadramentos, vontade de sair das rotinas e transgressão. Ainda hoje, penso numa palavra que defina a urgência, mas a transgressão deu origem à disciplina máxima: entrega, rigor, trabalho. Não banalizar o óbvio", começou por escrever.

"Dar o devido peso às palavras e à situação. É verdade que a televisão promoveu o fait divers, que o público gosta das coisas leves, que elas são necessárias. Mas também é verdade que para que a experiência seja realmente transformadora, tanto do ponto de vista do ator como do público, é preciso que se vá um bocadinho mais longe na análise. É preciso cada um de nós ser muitos ao mesmo tempo, de todas as cores, com o máximo possível de camadas, para que as nossas personagens tenham a maior espessura possível, na história que queremos contar", continuou.

"Ser actriz ou atriz (cedendo ao acordo ortográfico) deveria realmente ser uma profissão de criação e descoberta, mesmo quando a matéria sobre a qual trabalhamos é menos interessante, ou quando as condições nos destroem e desviam do objectivo primordial. Sem qualquer saudosismos da inocência dos 13 anos, tento sempre renovar os votos de encantamento para que o sonho não esmoreça. Para acreditar sempre que é possível ainda fazer coisas bonitas e saber que elas são recebidas de forma aberta e com opiniões consistentes sobre o que está feito. Todos os dias pego nas minhas ferramentas, às vezes com pinças, e digo "se hoje não for bom, amanhã terá de ser melhor". Não é só a precariedade económica que nos define, é também a precariedade dos sonhos. Das coisas em que acreditamos. Essa é a mais perigosa das intermitências. Só por hoje, mudo o meu mindset para os meus primórdios, quando o Kieślowski ainda era vivo e tudo era possível", concluiu. 

A publicação contou com o aplauso dos seguidores, com destaque para o comentário de José Condessa, que se rendeu às palavras da atriz: "Que texto bonito. Somos de gerações diferentes mas senti este texto como meu e da minha geração [...]".

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