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"Perdi o medo da morte". Sara Norte abre o coração: "Odeio este dia. Faz-me reviver tudo"

Nas redes sociais, Sara Norte escreveu um sentido texto.

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Na madrugada desta sexta-feira, dia 31, Sara Norte recorreu às redes sociais para assinalar os 14 anos da morte da mãe, Carla Lupi.

"Faz 14 anos que recebi das piores notícias da minha vida. Estava presa e não há palavras que descrevam a impotência que senti. Da dor. Do desespero. Dos gritos. Das lágrimas. Dos muros. Da frieza. Daquela cela que me asfixiava. De não acreditar no que se estava a passar. De não poder chorar a morte dela com os meus", começou por escrever.

"Foram dias de desespero. Passados tantos anos, ainda choro muitos dias e noites por ela e pergunto: 'Porquê?'. Durante anos, culpei a minha mãe por muitas escolhas dela, mas hoje em dia não a posso julgar. Todos erramos. Não somos ninguém para julgar o outro. O que importa é as pessoas serem boas e aceitá-las como são. Ter valores e caráter. A minha mãe tinha isso tudo e acho que muitas vezes não foi compreendida", continuou.

"Teria hoje 60 anos. Ela já não queria viver. Perdeu a esperança e morreu praticamente sozinha. Sem nada. Quando fui presa, o estado dela já era muito débil mas deu-me força e coragem mesmo quando ela já não tinha para ela. No dia em que saí da prisão, voltei a sentir tudo. Voltei ao mundo real sem ela. Tenho saudades. Da alegria dela, da forma como ela cuidava de todos ao seu redor, da voz, do abraço, das comidas e do colo", lamentou, ainda, Sara Norte.

"No ano passado, tive a honra de ser a minha mãe na série 'Desnorte'. Não esperem qualquer tipo de filtro porque a minha mãe não tinha vergonha das suas fragilidades. Tenho muito orgulho em ser filha dela. Deixou três filhos: o Diogo, a Beatriz e eu. Passados sete anos da morte da minha mãe, a Beatriz morreu. Muitas vezes pedi a Deus para me levar para perto delas. Quando for a minha hora, vou tranquila porque elas estão à minha espera do sítio de onde me guiam e protegem. Perdi o medo da morte", confidenciou a comentadora do programa "Passadeira Vermelha", da SIC Caras.

"Odeio este dia. Faz-me reviver tudo. Aquela impotência. Há 14 anos, estava num banco no pátio de Botafuegos a olhar para o relógio e a imaginar como estariam os meus avós e os meus irmãos. Sabia a hora do funeral e de quando ela foi cremada. E eu ali. Impotente (estava presa por um erro meu, não é isso que está em questão). Hoje, vou ver o mar e orar por ti e pela Bia. Devo-te a minha essência. Não me vergo! Não desisto! A tua Palmeirinhas", findou.

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