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Filipa Lemos, dos Santamaria, sobre morte do irmão: "Não me culpo, mas assumo que falhei com ele"

Tony Lemos morreu em 2020 e Filipa Lemos, irmã do músico dos Santamaria, falou sobre a forma como fez o luto.

"Lembro-me de estar horas a tentar falar com a minha mãe, a ouvir os meus sobrinhos e a tentar articular o regresso a Portugal num momento de pandemia", descreveu Filipa Lemos, irmã de Tony Lemos, recordando como recebeu a notícia da morte do músico, durante a conversa com Júlia Pinheiro, no programa "Júlia".

Na altura, Filipa Lemos estava a viver no México, com o então marido e a filha, "numa tentativa de salvar o casamento", e, conforme contou, o processo de luto foi muito difícil. 

"Estive dez dias sem verter uma lágrima, andei em piloto automático, achei que tinha uma missão a cumprir", acrescentou a vocalista dos Santamaria, destacando o lado "resiliente e resistente".

Sobre a morte do irmão, que foi encontrado morto, em casa, após cometer suicídio, Filipa Lemos explicou: "Sabíamos que ele estava doente, não era um quadro depressivo, mas sim de burnout, de cansaço geral. Pediu duas semanas antes para regressar ao psiquiatra, com um discurso perfeitamente normal."

"Não percebi nada", lamentou Filipa Lemos, acrescentando: "Acho que a pandemia bloqueou o meu irmão, o facto de parar, de ter tempo para pensar excessivamente... Ele preocupava-se demais com os outros, esquecia-se que existia e limitava-se a sobreviver."

De seguida, Filipa Lemos confessou: "Não me culpo, mas assumo que falhei com ele, não no sentido de não o ter percebido, mas no sentido de que estava numa outra luta que era minha. Não percebi que tinha falta do motor impulsionador dele que era a irmã. Acho que se estivesse estado cá as coisas seriam um bocadinho diferentes."

Ainda a fazer o luto pela morte do irmão, Filipa Lemos teve de lidar com outro drama, em abril deste ano. O  ex-marido da cantora, José Cerqueira, faleceu aos 49 anos, na sequência da rutura de um aneurisma.

Filipa Lemos contou que recebeu um telefonema com a triste notícia e viajou até ao país com a filha de ambos, Maria. "Era um quadro irreversível. Houve essa situação do aneurisma e, posteriormente, uma situação de morte cerebral", explicou, acrescentando: "A Maria já era maior de idade na altura. Legalmente, a única herdeira e única pessoa com capacidade para tomar decisões. Com 18 anos é difícil tomar uma decisão. E, por ela, fazia todo o sentido que lá estivesse a mãe para a poder ajudar e foi tomada uma decisão de dar dignidade."

"A Maria caiu e levantou-se quase de forma instantânea. Neste momento, está num processo de reconciliação com ela própria, teve já alguns momentos de raiva, ainda os tem, está a ser acompanhada porque pediu", acrescentou Filipa Lemos.

Recorde-se que, caso esteja a sofrer de algum problema psicológico, tenha pensamentos autodestrutivos ou sinta necessidade de desabafar, deverá recorrer a um psiquiatra, psicólogo ou clínico geral, podendo, ainda, contactar uma das seguintes entidades:

- Conversa Amiga (entre as 15h e as 22h) - 808 237 327 (número gratuito) e 210 027 159

- SOS Voz Amiga (entre as 16h e as 24h) - 213 544 545 

- Telefone da Amizade (entre as 16h e as 23h) – 228 323 535

- Telefone da Esperança (entre as 20h e as 23h) - 222 030 707

- SOS Estudante (entre as 20h e a 1h) - 239 484 020

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