Emocionado, Alberto João Jardim fala sobre a família: "Devo-lhes muito"

Igor Pires
Conta-me como és - Fátima Lopes entrevista Alberto João Jardim
Alberto João Jardim no "Conta-me Como És"

Fátima Lopes recebeu Alberto João Jardim numa entrevista pessoal para o programa "Conta-me Como És".

Neste sábado, dia 30, foi possível conhecer um outro Alberto João Jardim, numa conversa pessoal com Fátima Lopes, no programa “Conta-me como És”. “Foi das melhores entrevistas que já me fizeram”, desabafou no fim. 

“Trate-me por Alberto João. Sou Alberto João, um reformado da Função Pública”. Foi desta maneira que o ex-presidente do Governo Regional da Madeira começou a descrever o seu caminho.

“Não me importo que falem de mim, quem exerceu as funções públicas, está sujeito. Não gosto é de injustiças. Hoje ainda acontece, olho para o espelho e dou graças a Deus estar vivo, há tanta gente que sofre. Posso não gostar de uma pessoa, mas não tenho raiva a ninguém”, revelou Alberto João Jardim a meio da entrevista. 

A dado momento, Alberto João Jardim recorda ter definido o momento de saída da Presidência do Governo Regional da Madeira: "Saí quando quis, não perdi nenhuma eleição. Há um tempo para tudo e nós temos que saber viver cada tempo da nossa vida com a filosofia de bem estar. Não tenho saudades do que está para trás, tenho boas recordações."

Alberto João Jardim abordou, ainda, a sua visão sobre a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) e a CNE (Comissão Nacional de Eleições): “Há uns órgãos que não existem nos países democráticos, uma tal de Comissão de Eleições e uma Entidade para a Comunicação Social, próprios dos países sovietizados. Eu estava-me nas tintas para isso e quando saí do Governo tinha uns processos e o Guilherme Silva é que tem resolvido a minha defesa”.

O política considera-se “um republicano por ideologia": "Sou um presidencialista. Ia à Assembleia cinco vezes em cada mandato, no Orçamento e apresentação do Programa de Governo, não era muito adepto do Parlamento. Mas apesar disso, dos momentos que eu mais adorei foi quando ia ao Parlamento, adorava aquilo, mas por uma questão ideológica e de certo modo estratégica, procurei não ir a um determinado plano de discussão, entendi que era o líder do Governo mas também líder da Região."

Quase no final da entrevista, Alberto João Jardim revelou a sua faceta mais pessoal e até se emocionou. O político ficou com lágrimas nos olhos, quando ouviu as declarações dos netos. “Sou o mesmo das portas para dentro, a família é muito junta, fazemos férias juntas e temos muitas refeições. Este ano faço 50 anos de casado. Tenho que reconhecer que devo muito à minha família, à minha mulher, consegui um equilíbrio por saber que tinha uma retaguarda. Nem tempo tive de construir a família, isso foi mais da minha mulher. Sinto-me bem dentro da família e reconheço que lhes devo muito. Não sou de baboseiras, mas estou a dizer-lhes isso hoje."

(Re)veja a entrevista completa.