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Zulmira Garrido recorda passado: "Ele queria uma princesa e eu era tudo menos isso"

Em entrevista à SELFIE, Zulmira Garrido revisita as memórias de uma infância feliz em Luanda e recorda a relação com o pai.

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Filha única, de um pai militar exigente e de uma mãe presente, Zulmira Garrido nasceu em Castelo Branco para cumprir o desejo dos pais de que a filha viesse ao mundo na terra Natal da família. Pouco depois, mudava-se com os progenitores para Angola.

"Tive uma infância maravilhosa e uma adolescência muito feliz. Fui criada em Luanda, uma cidade maravilhosa na altura, muito à frente do tempo. Quando vinha de férias a Portugal, estranhava imenso, porque chegava aqui e tudo isto era muito mais retrógrado do que em Luanda. Angola tinha um espírito diferente, tinha uma mentalidade diferente, a cultura era diferente, tudo era diferente na altura", recordou.

Com o regresso a Portugal, pouco antes do 25 de abril de 1974, tudo mudou. A liberdade que Zulmira Garrido sentia em Luanda chocou com a rigidez da metrópole.

"A minha vida mudou completamente, porque, lá está, eu vinha com uma mentalidade completamente diferente e tudo aqui era muito estranho para quem vinha de lá", contou.

"Fui uma criança e uma adolescente muito feliz, dentro de uma família estruturada. Filha única. O meu pai era um bocadinho castrador, porque era militar. Ele queria uma princesa e eu era tudo menos isso, mas fui muito feliz. Lá fiz o meu percurso, dentro de todas as limitações que o meu pai me exigia, porque já na altura eu gostava de coisas que não estavam nos horizontes do meu pai, coisas que ele achava que eram muito fora da caixa para mim", confessou Zulmira Garrido.

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