No Instagram, Pedro Chagas Freitas fez uma viagem no tempo, a partir de uma fotografia partilhada por Rui Veloso: no registo, o músico surge ao lado de Zé Pedro, falecido em 2017.
"Um dia destes, o Rui Veloso publicou esta fotografia. Estava ali também uma versão de mim que julgava esquecida: o rapaz fechado no quarto a ouvir cassetes gastas, a acreditar que a música era uma forma de pedir desculpa por existir. Ainda acredito. Agora custa mais", começou por refletir o escritor, antes de acrescentar: "O Zé Pedro era carne, guitarra, uma espécie de coragem que não se ensina - só se inveja. Havia nele a rebeldia que todos enterrámos um dia para caber em empregos, em famílias, em jantares, em reuniões sorumbáticas. Quando duvidei de mim, e foram tantas vezes, ele resgatou-me a vontade de tentar. Com ele, parecia simples: ou sentes tudo ou não sentes nada. Não há morno no rock. Por que teria de haver morno na vida?"
De seguida, Pedro Chagas Freitas deixou uma reflexão sobre Rui Veloso: "O Rui, com o Tê ao lado, fez da tristeza uma construção bela, um chão onde era seguro cair. Era ali que eu ia quando precisava de nome para o que me doía. Ainda vou. Mesmo agora, que já sou o pai e não o filho; que sou o autor público e não o rapaz que escrevia escondido."
"Naquela fotografia, escuto-os. Tenho o mesmo sangue, agora mais cansado, talvez mais magoado, talvez mais real, talvez mais desafinado. Ao ouvi-los, ainda me ouço. Obrigado aos dois", completou.
Veja, agora, a imagem partilhada por Pedro Chagas Freitas na galeria de fotografias que preparámos para si.
