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Os cães e os gatos também precisam de ir ao psicólogo? Veterinário André Santos explica tudo!

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A SELFIE conversou com o veterinário André Santos sobre ansiedade de separação, um distúrbio comportamental que afeta muitos cães e gatos.

André Santos

Já chegou a casa e deparou-se com móveis destruídos ou com o seu animal de estimação a fazer imenso barulho? Pode ser um sinal de ansiedade de separação. 

Em muitas casas, os animais de estimação são tratados como membros da família, estabelecendo laços afetivos profundos com os seus donos. No entanto, embora estas ligações possam parecer saudáveis, nem sempre o são, especialmente quando o animal não consegue lidar com a ausência dos donos.

O mais comum é que os donos comecem a perceber comportamentos fora do normal, sem conseguirem identificar a gravidade da situação. A alteração comportamental causada pela dificuldade de estar sozinho é um problema recorrente em animais como gatos e cães, mas muitas vezes é mal compreendida, sendo subestimada até os sintomas se agravarem.

A ansiedade de separação, especialmente em cães e gatos, é um distúrbio comportamental caracterizado por stress e angústia quando ficam sozinhos ou afastados dos seus donos. Segundo a CUF, este transtorno manifesta-se através de comportamentos como vocalizações excessivas, destruição de objetos e inquietação sempre que ficam sozinhos. Embora muitos considerem estes comportamentos como simples travessuras ou falta de educação, é importante perceber que, por detrás disso, pode estar uma condição emocional séria. Assim como os humanos, a ansiedade de separação nos animais pode ser desencadeada por mudanças na rotina, mudanças de ambiente, experiências traumáticas ou até mesmo pela falta de socialização durante a fase de desenvolvimento, que, por vezes, pode exigir acompanhamento veterinário para garantir o bem-estar do animal.

Para entendermos melhor este fenómeno da ansiedade de separação, fomos falar com o veterinário André Santos.

Os gatos e os cães podem sofrer de ansiedade de separação?
Tanto os cães como os gatos podem sofrer de ansiedade de separação. Há vários tipos de ansiedade, mas a ansiedade de separação ocorre quando eles são separados muito cedo da mãe, com poucas semanas de vida ou logo no primeiro mês. Por isso, é aconselhado que os bebés fiquem com a mãe, tanto no caso dos gatos como dos cães, até aos dois meses, às vezes um bocadinho menos, mas pelo menos um mês e três semanas.

Como surge e quais são os primeiros sinais de alerta? Em qual das espécies é mais comum?
Geralmente, os cães ladram muito quando ficam sozinhos, destroem a casa toda, ganem quando os donos estão fora, ficam desnorteados quando estão sozinhos ou na ausência dos donos. Nos gatos, não é tão comum ou não é tão fácil de perceber, porque os sinais são mais subtis, escondem-se mais. Muitas vezes, a ansiedade de separação nos gatos faz com que estes deixem de comer quando estão sozinhos ou quando os donos não estão... pode levá-los a fazer xixi fora da caixa... é mais subtil.

É descabido dizer que um animal de estimação também precisa de apoio psicológico?
Não é bem apoio psicológico que se diz. Existe uma abordagem multimodal, que vai desde o treino, a creche ou a socialização com outros animais e, depois, muitas vezes, aquilo a que nós chamamos de consulta de comportamento. É com um especialista médico veterinário, como um cardiologista, medicina interna, cirurgia, medicina do comportamento. Em conversas com os donos, muitas vezes, percebemos que estes animais precisam de alterar algumas rotinas, comportamentos que os donos têm para com os seus animais e, muitas vezes, é necessário administrar medicação para não terem tanta ansiedade em determinados momentos, para que possam aprender aquilo que são os comportamentos normais. Esta aprendizagem, muitas vezes, só é possível quando eles não estão num estado de ansiedade, porque isso não é compatível com a vida e não conseguem adquirir informação se estiverem ansiosos.

O Feliway é um bom produto para ajudar a reduzir este stress? Recomenda outro?
O tratamento é multimodal. É treino, creche e socialização com outros animais, no caso dos cães. Depois, há várias terapias: o Feliway para os gatos, que é um ambientador que tem feromonas de gato e que tendencialmente os acalma, mas é um produto natural, a coleira Adaptil para os cães... Mas, depois, também se pode ter de recorrer à utilização de ansiolíticos e antidepressivos em alguns casos, porque vai ajudar muito os animais em determinada fase e faz-se o desmame ou, às vezes, a vida toda. Utilizando a medicação, sempre prescrita pelo médico do comportamento animal, os animais não estão tão ansiosos e conseguem aprender aquilo que são os comportamentos normais e, assim, trata-se esta patologia e é melhor para os donos, médicos, cães e gatos.

Sem o devido tratamento, a morte pode ser o desfecho do animal?
Não, geralmente não é uma doença que causa morte. O problema é que a ansiedade de separação e alguns tipos de ansiedade fazem com que os animais fiquem num estado de alerta constante, em stress, e há uma imunodepressão. Faz com que estes animais tenham doenças inflamatórias crónicas, muitas das vezes doenças infeciosas e que possam estar imunodeprimidos e, depois, terem doenças secundárias. Até porque não é compatível com a vida estes animais estarem sempre neste estado de stress e ansiedade. É mau para os animais, é mau para os donos, que já não conseguem estar fora de casa, porque os animais só fazem disparates... Ter um cão ou um gato torna-se uma má experiência, se isto não for tratado.

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