Casava-se com um voto. De obediência.
Era esse o verbo: obedecer.
Obedecia-se ao pai. Depois ao marido. E se, por alguma razão, se ficasse sozinha… obedecia-se à vergonha.
A liberdade não era um direito. Era um risco.
Não podíamos votar.
Não podíamos sair do país sem autorização.
Não podíamos abrir conta no banco.
Não podíamos decidir sobre o nosso corpo.
Nem sobre o nosso destino.
Fomos treinadas para calar.
Para agradar.
Para fazer tudo com um sorriso.
E quando sorrir já não chegava, aprendíamos a manipular.
Não por gosto — por falta de alternativa.
Era a única forma de ter algum poder quando a voz não servia para nada.
Esse padrão ainda vive em nós.
Em muitas.
Na culpa por dizer não.
Na ansiedade em ser aceite.
Na arte de medir cada palavra para não parecer “demais”.
Demasiado forte.
Demasiado assertiva.
Demasiado livre.
E mesmo com tanto caminho feito —
mesmo com tanto sangue derramado por outras antes de nós —
há mulheres que escolhem não votar.
Não votar não é neutral.
Não é “não me apetece”.
É uma negação histórica.
É virar as costas às mulheres que foram ridicularizadas, presas, espancadas, ostracizadas porque ousaram dizer: Eu sou gente, também quero decidir.
O direito ao voto foi conquistado com luta, com sacrifício, com dor.
E se tens esse direito e escolhes não o usar, estás a desprezar essa herança.
Estás a deixar que o silêncio volte — mas agora por escolha própria.
Hoje, sim, podemos fazer muita coisa.
Estudar. Trabalhar. Votar. Viajar. Amar quem quisermos.
Mas atenção: ainda temos muito chão a percorrer.
Ainda somos interrompidas.
Ainda somos ridicularizadas quando ousamos ter opinião.
Ainda temos de justificar cada escolha como se devêssemos uma explicação ao mundo.
E ainda somos ensinadas a ser boas meninas.
Comportadas.
Educadas.
A sorrir, mesmo quando queremos gritar.
Basta.
A liberdade que temos foi conquistada.
Não nasceu connosco.
Foi legada.
E cabe-nos a nós usá-la com Respeito e Reverência.
Com orgulho. Com inteligência. Com coragem.
Por isso, sim:
Investe-te em ti.
Estuda.
Pensa por ti.
Vota.
Escolhe.
Grita.
Discorda.
Assume.
Reivindica.
Lidera.
Levanta-te.
Não te cales.
Nós somos as Mulheres que as nossas Avós não puderam ser.
E se hoje temos voz, que ela ecoe por todas as que foram silenciadas.
25 de Abril Sempre.
Liberdade para todas.
Todos os dias.
