Irmã, vamos a alguns sinais… só alguns. Eles são muuuiiitos.
1. "Quero casar contigo!" — duas semanas depois: "Vais achar estranho, mas… preciso de espaço."
Ele conheceu-te há três semanas e já quer que vás ao almoço de domingo com a avó dele. A avó ainda nem sabe se tu gostas de sopa ou de fado, mas ele já está a imaginar o nome dos vossos filhos. Quer mostrar-te o cão, que, nem é dele, é da ex que ficou com o bichinho após a separação pouco amigável com partilha de custódia judicial.
E tu ficas ali, a meio caminho entre "que querido" e "isto parece o início de um documentário animal da BBC".
Este é o clássico love bombing, irmã. A versão afetiva do “compra agora, pensa depois”. Ele entusiasma-se, idealiza-te, faz planos, convida-te para casamentos de primos que nem conhece bem, tudo com ar de quem vai mudar de país na terça-feira.
E depois? Depois some. Puff! Deixa o WhatsApp com visto azul e sem resposta. Diz que "está confuso", que “precisa de se encontrar”. Como se fosse o Nemo com duas pernas.
Conclusão: ele não te amava - como é evidente. Ele amava a ideia de estar apaixonado e de tu seres a mulher da vida dele, tu estavas ali, no momento errado, com a pessoa errada.
Os homens são transparentes e coerentes. Enquanto as mulheres vão mudando - para o bem ou para o mal - eles não mudam. Percebe isso. O comportamento dos homens é coerente ao longo da vida.
2. "Saí de uma relação difícil... não sei se estou preparado para outra."
Interpretação masculina: estou a avisar-te para não te apaixonares. Não estou disponível. Interpretação feminina: "Ele está magoado, mas eu consigo curá-lo! Eu não sou como as outras." Irmã... és exatamente como as outras, tens o famoso e inato complexo de enfermeira.
Ele não quer relação. Ele quer colo. Quer companhia ao sábado à noite, quando os amigos estão ocupados e a ex está feliz com outro. Quer o teu afeto como um anti-inflamatório, sem os efeitos secundários da responsabilidade.
Tu, por outro lado, transformas-te numa enfermeira de sentimentos com turnos noturnos e extras, muitos extras.
E um dia, quando finalmente ele "melhorar", vai agradecer-te com um: "És maravilhosa, mas percebi que preciso de estar sozinho." Sozinho? Tipo, sozinho com outra. E tu vais ficar ali, com o diploma de cuidadora afetiva em mãos, no vazio, sem romance e com vontade de enfiar um garfo no olho dele. Sentes-te usada… mas ele avisou-te, não foi?
3. "Queres ter uma cena… tipo, casual, 'tás a ver?" e depois faz cara de quem está a propor algo super moderno e evoluído.
Isto não é modernidade e muito menos evoluído. Isto é conveniência. "Tu estás aí, eu estou aqui = vamos curtir isto até eu me aborrecer." É o equivalente emocional de querer acesso ao frigorífico sem contribuir para as compras.
E muitas mulheres aceitam, não porque querem, mas porque acham - no meio da sua cegueira chamada carência - que quiçá, eventualmente, quem sabe, ele mude de ideias.
Ele não vai mudar. Homem que quer ficar, deixa isso claro. Não pergunta se queres uma "cena". Ele propõe um capítulo. Ou pelo menos, um parágrafo "Vamos ver como evoluímos".
MAS, há um ponto essencial que precisa de ser dito sem rodeios: se ele quisesse compromisso, aparecia com intenção, não com reticências. Intenção vê-se nos actos. E, ainda assim, muitas mulheres fazem o oposto, de tanto quererem sair do estado civil ‘solteira’, começam a saltar etapas quais atletas de salto em altura, com direito a sprint de balanço emocional e tudo. Mal conhecem a criatura, já estão a escolher o vestido de noiva, a cor das toalhas de mesa, o destino da lua-de-mel e o nome do primeiro filho… Não conhecem o homem, só conhecem a projeção. Não conhecem a pessoa real à sua frente, conhecem a versão social, civilizada que inventaram nos primeiros vinte minutos de conversa. Mas o cérebro delas já montou o filme inteiro em modo Walt Disney, com final feliz garantido e coro de passarinhos. Convenhamos: isto é assustador para todos os géneros. E injusto para ti e para ele, porque não estás a amar, estás a fantasiar. O amor precisa de tempo, de observação, de silêncio, de realidade e convivência. A fantasia precisa só de um sorriso e meia dúzia de hormonas saltitantes. E quando confundimos os dois… a queda dói sempre mais.
Como se reconhece uma relação saudável?
Temos sempre dúvidas e devemos ter. Elas dissipam-se com as atitudes ao longo do tempo. Com consistência. Não estás 15 minutos a analisar emojis. Não estás a desabafar com três amigas e uma Coach para tentar entender o que "Tenho tidos umas semanas difíceis." quer dizer. Numa relação saudável, há constância. Há presença. Há vontade real. É simples e, sim, é sexy ser tratado com clareza. Sim, tens de te sentir protegida.
A relação saudável não te faz sentir pequena, nem grande demais, nem demasiado intensa, nem emocionalmente carente. Faz-te sentir tu.
Resumindo e baralhando:
Se ele quer apresentar-te ao cão e casar em dois dias - demasiado, demasiado cedo. Desconfia.
Se ele está "confuso" - tu não és um mapa.
Se ele propõe "casual", mas quer que te portes como amante - esperta-te, ele quer tudo sem dar nada.
Se estás sempre a tentar perceber o que ele sente - não sente.
Conclusão:
No fim, estes sinais não falam sobre eles. Falam sobre ti, minha irmã. Sobre como foste educada para duvidar da tua intuição, para agradecer o poucaxinho emocionais, para confundir intensidade com profundidade e para ver potencial onde só há imaturidade afetiva. Porém, a verdade é simples: tu não tens de te adaptar ao nível emocional de ninguém!
Tu mereces reciprocidade, compreensão, presença e proteção.
Não há nenhuma Mulher - com ou sem capa de Independente - que não goste de se sentir protegida. Que não precise de descansar. Que não precise de largar carga, não só emocional como prosaica. Uma relação saudável não é um puzzle, nem um Teorema de Weierstrass
É uma troca justa. É onde ambos dão, não as mesmas coisas, mas coisas equivalentes. É onde tu te sentes vista, segura, escolhida. E o teu sistema nervoso também sabe disso, porque a paz é sempre um indicador mais fiável que a paixão caótica.
A tua autoestima não cresce quando alguém te quer. Ela cresce quando tu decides não aceitar menos do que aquilo que sabes que vales.
E, no dia em que encontrares um homem emocionalmente adulto, não vais precisar de sinais, nem de intérpretes, nem de lupas. Ele não vai propor 'cenas'. Ele vai estar presente. E tu vais reconhecer a linguagem, porque o amor adulto não complica. Fala claro.
E tu, Mulher, vai te dando aos poucos. Temos de nos merecer e não entregar de bandeja. Eis o fascínio da conquista.
