Crónicas

"Não é o Mercúrio, és tu (vá, e o micro-ondas também)", por Vera Xavier

Mercúrio pode andar retrógrado, mas quem decide o rumo és tu.

Hackeadora de Destinos & Mentoria de Empoderamento Feminino | Academia da Nova Mulher
  • 13 nov, 11:41
Vera Xavier
Vera Xavier

"A clareza nasce quando o ruído interno se cala." — Jay Shetty

Ah, Mercúrio Retrógrado! Será ele o nosso vilão cósmico preferido do ano, ou aquele amigo chato mas bem-intencionado que insiste em nos dizer para abrandar?

Quando o planeta da comunicação parece dar marcha-atrás no céu, o mundo entra em modo pânico. O email que desaparece no éter, a reunião que alguém esqueceu de avisar que foi cancelada, a chave que teima em esconder-se, danada! E a torradeira que pifa sem dar sequer um sinal de alerta? O micro-ondas que, de repente, parece uma disco, tipo Jamaica nos anos 90. É tão fácil apontar o dedo ao pobre mensageiro alado, não é? E algumas vezes temos razão, vá.

Mas pensa bem: quantas vezes usaste Mercúrio como desculpa para algo que já estava prestes a dar errado? A verdade é que este período astrológico pode ser menos sobre o caos e mais sobre uma pausa necessária. Um lembrete celestial para respirarmos fundo no meio da loucura.

Em vez de maldição, que tal vermos esta fase como uma oportunidade? A Vida está basicamente a dizer: Pára aí um pouco. Abranda. Respira. Pensa.

Por favor, lê aquele contrato 10 vezes. Sim, o papel da Finanças também. Alguma coisa em atraso? Verifica. Mais, pensa duas (dúzias de) vezes antes de mandares essa mensagem passiva-agressiva… às 3h da manhã. A culpa não é de Mercúrio! Não é mesmo.

E se? É só uma ideia, e se em vez de lutarmos contra esta corrente, a usássemos para um propósito mais elevado? Como dizia Alice Bailey, todo o ciclo de crise e oportunidade serve à evolução da consciência. E que melhor oportunidade do que esta pausa cósmica forçada para praticarmos a arte da escuta interna? Ah, que grande ideia! Tens tempo, sim.

 

Ritual para a Retrogradação: A Alquimia do Silêncio

Este não é um exercício de magia, mas de alquimia pessoal. É um convite a transformar o ruído da mente concreta na claridade do coração.

Pega numa folha de papel. Não no telemóvel, não num documento digital, mas no velho e bom papel, aquele que o Mercúrio não consegue corromper com um clique.

Escreve três frases que tens adiado dizer:
• Uma que precisas de dizer a alguém (um pedido de desculpas, um elogio guardado, um "não" que não sais da garganta).
• Uma que precisas de dizer a ti próprio (um "estás a fazer o melhor que podes", um "já podes descansar", um "isso não é culpa tua").
• Uma que gostarias de sussurrar à Vida (um desejo, uma pergunta, um simples "obrigado").

Agora, lê-as em voz alta. Sente o peso de cada uma, não como problemas, mas como libertação, como correntes que se quebram.

De seguida, em segurança (e talvez um pouco de cerimónia ritualística), ateia-lhes fogo. Pode ser na pia da cozinha, num cinzeiro ou num caixote do lixo metálico… sem saco, claro. Observa o fumo a levar embora o peso das palavras que já não precisas de carregar. O que fica é a intenção pura, sem a tirania do "como" ou "quando".

Não é magia… (ou é?) É o simples e profundo atto de libertar a forma para que a essência possa brilhar. E isso, sim, é a verdadeira mensagem que Mercúrio, no seu caminho aparentemente inverso, vem entregar.

Vera Xavier
Hackeadora de Destinos & Mentoria de Empoderamento Feminino | Academia da Nova Mulher

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